Saúde

DGS: Natal pode complicar-se devido a eficácia das vacinas (há 3 cenários possíveis)

Autoridades de saúde apontam para diferentes evoluções possíveis. Se efetivade das vacinas diminuir, Natal pode trazer riscos.
Vacinação começou a 27 de dezembro.

Um dos fatores que terá contribuído para as semanas mais graves da Covid-19 em Portugal, em janeiro deste ano, terá sido o risco de contactos no período de festas de Natal e Ano Novo.

Um ano depois, a situação está diferente e o processo avançado de vacinação contribuiu para o alívio de restrições. Mas especialistas admitem um cenário mais complicado, precisamente na altura do próximo Natal e Ano Novo, caso a efeetividade das vacinas baize de forma considerável com o tempo.

O tema foi levantado na reunião do Infarmed desta quinta-feira, 16 de setembro. Em Portugal, o processo de vacinação contra a Covid-19 começou a 27 de dezembro e incidiu primeiro sobre profissionais de saúde e população mais idosa, em maior risco. Se a eficácia das vacinas baixar um ano após a toma, a situação epidemiológica no País poderá piorar.

“O momento de maior transmissibilidade associado às festividades de Natal e Ano Novo pode coincidir com um período de menor proteção da população, especialmente a que foi vacinada no início do ano, que tem doença crónica e acima dos 80 anos”, destacou o epidemiologista Baltazar Nunes.

Na sua intervenção, o especialista do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge especificou três possíveis cenários. No mais otimista, a eficácia da vacina mantém-se durante pelo menos três anos. Caso não surja uma nova variante que suplante a Delta (e mostre ser mais resistente à vacinação), não haverá preocupações de maior.

Num segundo cenário, a efetividade da vacina reduz-se ao fim de apenas um ano.Será um desafio extra, mesmo sem nenhuma nova variante. Neste segundo cenário, a linha vermelha da ocupação de camas de cuidados intensivos poderia ser ultrapassada em janeiro, coincidindo com um número superior de óbitos.

No terceiro cenário, visto pelas autoridades de saúde como o pior, as tais linhas vermelhas seriam ultrapassadas ainda mais cedo, já em dezembro, sinal de quebra de eficácia da vacinação (com resultante impacto em casos, vidas e maior pressão sobre os serviços de saúde).

O sucesso do processo de vacinação tem sido apontado como fator diferenciador. Na sua intervenção, Baltazar Nunes realçou também que “os países com maior cobertura vacinal são os que apresentam valores de Rt abaixo de 1”. Nesta fase isso já é visível nos índices de transmissibilidade e incidência por cá. “Nunca tivemos valores tão baixos de Rt sem medidas de restrição implementadas”, afirmou, acrescentando que o Rt está agora nos 0,84 a nível nacional.

Ainda assim, a possibilidade de um reforço de vacinas tem sido cada vez mais levantada, precisamente por diferentes estudos já terem apontado uma quebra de eficácia nas vacinas meses após a toma da segunda dose.

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