Saúde

Diziam ser médicos e enganaram centenas de portugueses. Há 240 processos-crime na ASAE

Os casos decorreram principalmente em espaços que faziam intervenções estéticas como botox e aplicação de ácido hialurónico.

A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) abriu, ao longo dos últimos sete anos, mais de 240 processos-crime ligados à pratica ilegal de atos médicos. Acusa pessoas sem formação adequada que se faziam passar por profissionais de saúde, principalmente ligados à medicina estética.

Só em 2024, foram registados 13 processos deste tipo. Os números foram avançados à agência “Lusa”, aqui citada pela “SIC Notícias”, esta terça-feira, 21 de abril.

O alerta dado pela ASAE — e também pelo Infarmed, a Entidade Reguladora da Saúde (ERS) e a Direção-Geral do Consumidor — não surgiu por acaso: há cada vez mais queixas relacionadas com espaços onde procedimentos estéticos, como aplicações de botox ou preenchimentos com ácido hialurónico, que são feitos por pessoas sem qualquer qualificação. Este aumento levou as autoridades a avançarem com uma nova campanha de sensibilização, chamada “Não é só estética. É saúde.”

“Portugal está a seguir a tendência de outros países do mundo, onde a realização deste tipo de procedimentos faciais, de aplicação de toxina botulínica e de preenchimento com ácido hialurónico injetáveis, por exemplo, é bastante comum”, Mariana Mota Torres, vogal do conselho de administração da ERS.

Apesar de muitas vezes serem vistos como simples e quase inofensivos, quando mal feitos, estes procedimentos acarretam vários riscos. As injeções em sítios errados, falta de higiene, o uso de produtos inadequados ou falha na gestão de complicações durante as intervenções podem resultar em problemas sérios — desde infeções e necrose dos tecidos até obstruções vasculares e, em casos mais graves, deformações permanentes.

Com esta campanha, as quatro entidades não querem afastar as pessoas destes tratamentos. Querem, sim, garantir que são feitos com segurança.

“O que pretendemos é reforçar e empoderar os utentes para serem capazes de identificar potenciais riscos”, explica Mariana Mota Torres. No entanto, lembra que os dois procedimentos mais populares (o botox e a aplicação de ácido hialurónico) “escapam à área cirúrgica”.

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