A região de Canterbury, em Kent, no Reino Unido, está atualmente a lidar com um surto de meningite. Esta quarta-feira, 18 de março, o número de pessoas infetadas já chega a 20 pessoas. Os médicos do país estão em alerta.
A doença já levou à morte de duas pessoas, a meio de março: um estudante universitário de 21 anos e uma aluna do ensino secundário, de 18 anos. Susan Hopkins, diretora executiva da Agência de Segurança Sanitária do Reino Unido, contou à “BBC” que a infeção entre doentes apresenta uma “natureza explosiva”.
Já Thomas Waite, médico na região, referiu que se trata do surto de crescimento mais rápido que já viu na sua carreira. “O número de casos num espaço de tempo tão curto é sem precedentes”, comentou.
O especialista também referiu que tudo indica ter havido um “evento de superpropagação” entre pacientes que frequentaram a discoteca Club Chemistry entre 5 e 7 de março. Para contornar a situação, vão ser vacinadas cerca de 500 pessoas.
O que é esta doença?
A meningite surge devido à inflamação das meninges, as membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinal. Pode ser provocada por vírus, bactérias, fungos ou, em casos mais raros, parasitas.
A meningite B, que está a afetar Canterbury, é causada pela bactéria Neisseria meningitidis. A transmissão ocorre através do contacto direto com secreções respiratórias ou saliva de uma pessoa infetada ou portadora assintomática, normalmente por tosse, espirros, beijos ou partilha de utensílios. Muitas pessoas podem transportar a bactéria na garganta sem apresentar sintomas, contribuindo para a sua disseminação.
Os sintomas iniciais podem incluir febre súbita, dores de cabeça intensas, vómitos, mal-estar geral e sensibilidade à luz. À medida que a doença evolui, pode surgir rigidez do pescoço, confusão, sonolência, convulsões e dificuldade em acordar. Outro sinal característico em alguns casos é o aparecimento de manchas avermelhadas ou roxas na pele que não desaparecem.
A meningite afeta cerca de 2,3 milhões pessoas anualmente, no mundo. Em Portugal, registaram-se 96 casos em 2024, os dados mais recentes. A taxa de mortalidade situa-se entre cinco e 10 por cento, mesmo com tratamento adequado. Entre os sobreviventes, cerca de 10 a 20 por cento podem desenvolver sequelas permanentes, como perda auditiva, défices neurológicos, dificuldades cognitivas ou amputações.
A prevenção baseia-se principalmente na vacinação contra o meningococo do grupo B. Evitar a partilha de objetos que contactem com saliva também faz parte das recomendações dos médicos.
No caso da meningite B, o tratamento passa pela hospitalização imediata e administração rápida de de antibióticos intravenosos, bem como cuidados de suporte intensivos quando necessários. A intervenção precoce é determinante para reduzir o risco de morte e sequelas.
Leia o artigo da NiT para conhecer melhor esta doença, que também levou à morte de Jeff Beck, guitarrista dos Yarbirds, em 2023.








