Saúde

Droga antienvelhecimento vai ser testada em cães — poderá ser eficaz em humanos

"Diminui a quantidade de stress" e "pode influenciar a maneira como envelhecemos", afirma um grupo de cientistas norte-americanos.
Ainda está a ser testada.

A esperança média de vida mundial tem aumentado de forma consistente. Em 1950, situava-se nos 47,1 anos; em 2023  é de 73,4 anos e estima-se que continue a subir, podendo atingir os 82,1 anos em 2100. A tendência crescente também se verifica nos animais de companhia, cujo tempo médio de vida é o dobro do que era há 40 anos. Mas os investigadores querem mais.

Um grupo de cientistas norte-americanos estão a analisar o envelhecimento dos cães para experimentarem uma droga que pode retardar este processo — e que, potencialmente, poderá funcionar também em humanos.  O projeto “Dog Aging”, liderado por investigadores das universidades de Washington e A&M do Texas, já está em curso há vários anos, refere a agência Reuters.

No âmbito do estudo, os cientistas têm examinado o ciclo de vida canino através dos dados de saúde recolhidos nos Estados Unidos, junto dos donos de cerca de 44 mil cães de todas as idades e raças. Destes, 500 irão participar num ensaio clínico para testar potenciais novos efeitos de um fármaco já conhecido.

A rapamicina é normalmente usada em tratamentos oncológicos e transplantes de órgãos e já demonstrou ter, em pesquisas e experiências anteriores, a capacidade de atrasar o processo de envelhecimento em ratos. O ensaio clínico durará um ano e será controlado por placebo. Focar-se-ão em cães de maior dimensão com, pelo menos, sete anos. 

A substância parece alterar o metabolismo, o que pode prolongar a vida de um animal, segundo Genna Atiee, professor assistente clínico da Faculdade de Medicina Veterinária e Ciências Biomédicas da Universidade A&M do Texas.

“[A droga] diminui a quantidade de stress, essencialmente no corpo, e pensamos que, com o tempo, isso pode influenciar a maneira como envelhecemos”, explicou Atiee. E acrescentou: “Existem muitas evidências auspiciosas obtidas em ensaios com pequenos animais e esta será a maior e mais abrangente análise dos efeitos desta droga em animais maiores, como os cães”.

Caso se revele promissora em prolongar a vida destes animais e cumpra as exigências regulatórias necessários para aprovação, a rapamicina poderá ser usada como uma droga antienvelhecimento adequada a humanos.

“Os cães são um grande modelo. São heterogéneos, tal como pessoas”, assegura o investigador.

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