Durante duas décadas, Suzanne F. acreditou que tinha perturbação bipolar tipo II. Seguiu tratamentos, experimentou medicamentos e procurou respostas para os sintomas que condicionavam o seu dia a dia. Só em 2023, depois de pedir uma segunda opinião, percebeu que o diagnóstico podia estar errado.
A norte-americana, atualmente com 50 anos e professora substituta, começou a enfrentar problemas de saúde mental durante uma gravidez, em 2003. Depois do nascimento da filha, foi diagnosticada com esta patologia, uma doença que pode provocar episódios de depressão e hipomania.
“Na altura, senti-me aliviada por ter uma explicação para aquilo que estava a sentir e esperançosa por finalmente estar num caminho que me ajudaria a sentir-me melhor”, contou à revista “People” a 27 de setembro.
Apesar de ter seguido os tratamentos recomendados e experimentado diferentes fármacos e abordagens ao longo dos anos, nunca sentiu que tinha encontrado o alívio que procurava. “Olhando para trás, consigo perceber que havia qualquer coisa que não encaixava, mas não sabia que podia existir outra explicação para os meus sintomas”, recorda.
Em 2023, a situação agravou-se. Suzanne descreve esse período como “um lugar muito sombrio”. Foi então que a família a incentivou a procurar uma segunda opinião. “Conseguiam ver o quanto eu estava a sofrer e queriam que explorasse todas as opções possíveis”, explica.
A nova consulta acabou por mudar a forma como compreendia aquilo que lhe estava a acontecer. O médico passou cerca de duas horas a analisar em detalhe o seu historial clínico e a ouvir as suas preocupações. Depois dessa avaliação, concluiu que a perturbação depressiva major ( uma doença do humor associada a sentimentos persistentes de tristeza e à perda de interesse ou prazer em atividades) explicava melhor os sintomas que tinha experienciado ao longo das duas décadas anteriores.
Receber o novo diagnóstico deixou-a “chocada”, mas, ao mesmo tempo, fez sentido. “Pela primeira vez, senti que alguém estava a olhar para o quadro completo da minha experiência, em vez de analisar apenas partes”, afirma.
A mudança de diagnóstico também abriu a porta a uma nova abordagem terapêutica. Suzanne começou a fazer um tratamento que incluá Caplyta, um medicamento aprovado pela como tratamento complementar para adultos com perturbação depressiva major, em conjunto com um antidepressivo oral.
A norte-americana diz ter começado a sentir uma diferença significativa nos sintomas depressivos. “Gradualmente, comecei a notar mudanças importantes. Dormia toda a noite, o meu humor começou a melhorar e já não sentia que tinha de atravessar uma camada de areia pesada só para conseguir sair da cama todos os dias”, recorda.
Durante anos, Suzanne descreve ter vivido com uma sensação de “peso mental” que tornava as tarefas mais simples difíceis de concretizar. “Tudo exigia demasiado esforço e nada parecia divertido ou valer a pena”, conta. “Havia dias em que até sair da cama era difícil. Caminhar até à cozinha ou encher uma garrafa de água pareciam uma grande conquista”.
Desde que iniciou o novo tratamento, diz sentir que perdeu “50 quilos de peso mental”. Em vez de acordar a temer o dia que tem pela frente, passou a encontrar motivos para estar entusiasmada pelas horas seguintes.
“Adoro tomar café com o meu marido de manhã, dar passeios, passar tempo ao ar livre, estar na piscina e até tratar de projetos em casa e no jardim para os quais antes não tinha energia ou motivação”, revela.
Uma das mudanças mais importantes foi recuperar a capacidade de fazer planos. Suzanne criou uma lista de experiências e objetivos que gostava de concretizar, onde incluiu acompanhar a filha no percurso académico, renovar os votos de casamento com o marido, viajar e envolver-se mais em iniciativas relacionadas com a saúde mental. “Pela primeira vez em muito tempo, consigo imaginar um futuro que parece preenchido e com significado”, diz.
A mensagem que deixa a quem atravessa uma situação semelhante é simples: não desistir. “Mesmo que pareça que já não existem opções, não perca a esperança”, diz. A experiência de viver durante anos com um diagnóstico que mais tarde foi alterado ensinou-lhe que é possível fazer perguntas, procurar outras opiniões e ter conversas abertas com os profissionais de saúde quando os sintomas não evoluem como esperado. “As coisas podem mudar, mesmo quando parece impossível imaginá-lo.”
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