Saúde

Passar uma noite sem dormir é como se estivesse bêbado no dia seguinte

Especialista do sono afirma que é sempre melhor dormir apenas uma ou duas horas do que fazer uma direta.
Fazer diretas deve ser evitado.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), os adultos precisam de mais de 7 horas de sono por noite, e os miúdos de 6 a 12 anos precisam de 9 a 12 horas de sono. Mas quando ficamos acordados a trabalhar ou estudar, será que devemos dormir apenas duas horas ou fazer uma direta?

Nem sempre é possível dormir a quantidade adequada de sono, especialmente quando se está a viajar, quando temos prazos apertados para cumprir no trabalho, ou filhos bebés. Se já deu por si a ficar acordado até de madrugada e tendo de sair para trabalhar dentro de poucas horas, o melhor é sempre dormir — quem o diz é Susana Varela, médica especialista do sono.

Se estiver numa situação em que está a tentar decidir se deve ou não dormir durante algumas horas, nenhuma das duas opções parece apelativa. No entanto, “dormir um pouco é melhor do que não dormir”, explica a médica.

O sono é o período em que o corpo repara os músculos, repõe as hormonas e transfere memórias de curto prazo para memórias de longo prazo. Se saltar uma noite de sono, a sua função mental e o seu bom humor diminuirão significativamente no dia seguinte.

De acordo com o Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, estar acordado durante 18 horas causa uma deficiência mental semelhante a ter um teor de álcool no sangue de 0,05 por cento, e estar acordado durante 24 horas é equivalente a 0,10 por cento. Passar uma noite sem dormir é o equivalente a estar bêbado no dia seguinte.

Enquanto dorme, o seu corpo percorre quatro fases de sono, um a aproximadamente cada 90 minutos, e numa noite normal, realiza 4 a 6 destes ciclos. Dormir um par de horas ou menos não é o ideal, mas pode proporcionar ao seu organismo um ciclo de sono. Idealmente, é uma boa ideia apontar o despertador para, pelo menos 90 minutos de sono, para que tenha tempo de passar por uma fase completa.

“As diretas são completamente desaconselhadas. A privação do sono está associada à alteração da capacidade de atenção, memória e a produtividade reduz significativamente. É muito importante dormir”, começa por explicar Susana Varela.

Em termos de saúde do sono, existem duas questões que devemos ter em atenção: deitar e acordar sensivelmente à mesma hora, quer seja fim de semana ou não. Outra regra tem a ver com a quantidade de horas dormidas diariamente.

“Segundo a Organização Mundial da Saúde e outras entidades ligadas ao sono, devemos dormir entre sete e oito horas por dia na idade adulta, no entanto, não há um número mágico e único para todos. A pessoa deve dormir apenas a quantidade de horas que sintam que são realmente reparadoras e que lhe permitem acordar com a sensação de descanso”, esclarece a médica.

Muitas vezes, aquilo que acontece no dia a dia, fruto do excesso de trabalho, é que ficamos acordados até de madrugada e depois não sabemos se mais vale dormir apenas duas horas ou fazer uma direta. A médica responde de forma clara: “Devemos dormir e no dia seguinte fazemos uma sesta durante meia hora.”

Segunda a especialista “é preferível dormir uma ou duas horas quando não tem tempo para mais e, nos dias seguintes, tentar regularizar o sono novamente — tendo em conta que será uma situação pontual e nunca recomendável.”

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