Saúde

Enfermeira emigrada escreve carta aberta à ministra da Saúde — e torna-se viral

A publicação, na qual condena o pedido de ajuda aos reformados do setor, já soma quase oito mil partilhas.
Fotografia ilustrativa.

A publicação tem data de 28 de janeiro, mas foi no início desta semana que começou a circular um pouco por todas as redes sociais, somando quase oito mil partilhas no Facebook. Falamos do texto, ou de uma carta aberta à ministra da Saúde, da autoria de uma portuguesa que emigrou para o Reino Unido há cinco anos.

Sou enfermeira há cinco anos num país que não é o meu, não vim por minha escolha em busca de uma aventura ou de aprender uma nova língua. Vim porque, em 2015 quando me mudei, o meu país me oferecia 2,7€ por hora para fazer o meu trabalho, porque o meu País me dizia para sair e procurar oportunidades lá fora”, começa por escrever Bárbara Antunes.

Por lá, revela, subiu sempre de escalão, foram-lhe dadas oportunidades de formação e crescimento dentro da profissão, inclusive pós-graduações suportadas pelo hospital no qual trabalha. 

Fiquei porque em cinco anos era team leader e conseguia ver a minha carreira a transformar-se em algo. Ponderei ser especialista em uma qualquer especialidade, e tornou-se difícil escolher pq tenho a oportunidade de escolher qualquer uma das especialidades para trabalhar, e mudar quando quero. Fui ficando”, desafafa.

No entanto, confessa que sempre teve o regresso em mente, quando tudo melhorasse, abrissem concursos e investissem na enfermagem. Mas lamenta que isso nunca tenha acontecido.

“Veio o Covid e nada mais queria senão estar em Portugal, fazer o trabalho que estou a fazer, como enfermeira de cuidados intensivos mas em Portugal, ser útil, em Portugal. Veio a necessidade. Veio a valorização profissional (pelo menos os aplausos). Mas não veio a carreira, não vieram os contratos, não veio o convite para regressar”, pode ler-se na carta aberta dirigida a Marta Temido.

E continua: “E aqui estou eu, e tantos, prontos a rumar ao nosso querido paraíso à beira mar plantado assim que nos disserem ‘estamos prontos, venham’. E você pede aos reformados para ajudar? Você por acaso já fez um turno de enfermagem num hospital? Digo-lhe, às vezes mal aguento com 30 anos, nem imagino como será com 65! Ah! Pois, não somos uma profissão com alto risco de desgaste.”

Bárbara questiona também o pedido de ajuda ao estrangeiro. “Pede ajuda ao estrangeiro? Esse estrangeiro a aproveitar a mão de obra dos enfermeiros portugueses? A esse estrangeiro que nos valoriza e apoia? Não basta tomar conta da sua população, agora tem de tomar conta da vossa população doente. Eu não sou de intrigas, mas algo vai mal no nosso Portugal”, diz, acrescentando que quando chegarem lá fora os doentes portugueses terão um tratamento de excelência, por profissionais de excelência e, como sorte, ainda lhes falam em português.

“Costumam dizer que o problema dos países são as pessoas que neles vivem, eu digo que são esses rabos (que um dia uma de nós enfermeiras vamos limpar) que se sentam em cadeiras de ouro e mandam dicas tão levianamente.”

Por fim, a enfermeira emigrada no Reino Unido sugere que se sigam os exemplos da Nova Zelândia, cortando os ordenados do governo em um terço.” E cortem as cadeiras parlamentares pela mesma ordem. Cortem nos apoios à TAP. E invistam na saúde e bem estar da população, é para isso que aí estão.”

Dona ministra,O meu nome é Bárbara e sou enfermeira.Sou enfermeira há 5 anos num país que não é o meu, não vim por…

Posted by Barbaraislost on Thursday, January 28, 2021

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