Saúde

Enfermeiros sentem-se “humilhados” e avançam com greve de várias semanas

Segundo o sindicato destes profissionais de saúde, eles querem apenas ficar equiparados com as restantes carreiras da função pública.
A greve dura várias semanas.

Os últimos meses têm sido marcados por inúmeras greves dos médicos que condicionaram o funcionamento dos hospitais — nomeadamente os serviços de urgências de todo o País. O cenário poderá ficar ainda mais caótico devido ao protesto dos enfermeiros. O Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos (SITEU) anunciou esta segunda-feira, 4 de dezembro, que pretende realizar uma greve entre 21 de dezembro e 2 de janeiro do próximo ano, para exigir paridade com a carreira técnica superior da Administração Pública.

Em causa está o aumento de 52 euros, igualando os 1.333,35 euros que os técnicos superiores da Administração Pública recebem a partir do nível 16, como explicou Gorete Pimentel, presidente do SITEU, citada pelo “Observador”.

“Os enfermeiros iniciam no nível 15, que são 1.280,72 euros do valor de início de carreira. São 52 euros de diferença. Nós só queremos equiparação. Por isso, [convocámos] esta greve de paridade, porque sempre tivemos o salário regulado pelo dos técnicos superiores da Administração Pública”, afirmou.

Para Gorete Pimentel, esta disparidade trata-se de “uma desconsideração” e os enfermeiros sentem-se humilhados. “Somos licenciados, mestrados, doutorados. Somos uma carreira profissional com nível de dificuldade três e não há motivo nenhum para que os enfermeiros estejam a ser humilhados a nível salarial em comparação com outras carreiras. É uma questão de dignidade. Não têm de nos estar a inferiorizar”.

Questionada sobre as negociações que têm decorrido com o Ministério da Saúde, a dirigente sindical disse que foram enviados emails à tutela “a reclamar a situação da paridade”.

“Sempre nos disseram que até ao final do ano que isso ia estar resolvido e agora dizem que, com a demissão do governo, não o vão fazer. Só que o País não fica sem gestão. Nós não ficamos ao Deus dará. (…) Não estamos a exigir a lua nem nada de outro mundo”, concluiu.

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