Saúde

Enfermeiros vão fazer greve de várias semanas às horas extraordinárias

Segundo o sindicato destes profissionais de saúde, a remuneração das horas extraordinárias representa uma "injustiça agravada".
A greve dura várias semanas.

Os últimos meses têm sido marcados por inúmeras greves dos médicos que têm condicionado o funcionamento dos hospitais — nomeadamente dos serviços de urgências de todo o País. O cenário poderá ficar ainda mais caótico devido ao protesto dos enfermeiros. O Sindicato Nacional dos Enfermeiros (SNE) convocou uma paralisação de quatro semanas às horas extraordinárias, entre 30 de outubro e 25 de novembro. Os profissionais exigem que o Governo corrija as injustiças salariais atualmente em vigor.

A organização indica que “a presente luta dos trabalhadores enfermeiros visa fazer com que o Governo da República, tal como fizeram os da Região Autónoma dos Açores e da Madeira, corrija as inversões remuneratórias decorrentes da legislação aprovada em 2022 sobre a contabilização dos anos de exercício profissional”. Trata-se, segundo o sindicato, de “uma injustiça agravada com o impacto no valor pago pelo trabalho suplementar”.

As reivindicações do SNE incidem no “início do processo de revisão da carreira e tabela salarial com representantes do Ministério das Finanças e do Ministério da Saúde, corrigindo a estagnação salarial dos enfermeiros nos últimos nove anos, através da assinatura de um protocolo negocial para um Acordo Coletivo de Trabalho Global”.

O sindicato queixa-se de os enfermeiros nunca terem tido direito a um Acordo Coletivo de Trabalho Global, “ao contrário das restantes carreiras especiais da saúde da Administração Pública que detêm o mesmo grau de complexidade funcional máximo (grau 3)”.

“Sem a prestação de trabalho suplementar, também denominado trabalho extraordinário, por parte dos enfermeiros, que na maior parte das situações nem é pago aos mesmos, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não seria tão resiliente, nem manteria o nível de segurança e qualidade de nível elevado que o caracteriza desde a sua criação há 44 anos, tal como ficou demonstrado durante a pandemia de Covid-19”, lê-se no comunicado.

Se a greve dos enfermeiros às horas extraordinárias se concretizar, o funcionamento de muitos hospitais e unidades de saúde ficará comprometido.

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