Saúde

Epidemia de bronquiolite leva centenas de bebés às urgências e pressiona hospitais

Doença representa metade dos internamentos em França, ultrapassando os picos dos últimos 10 anos. Portugal também está em alerta.
Já não há camas disponíveis.

Nos hospitais de Paris, em França, as consultas e cirurgias estão a ser todas adiadas devido a uma epidemia que está a levar ao internamento de centenas de miúdos: a bronquiolite.

Trata-se de uma inflamação aguda das vias aéreas inferiores, muito frequente nos dois primeiros anos de vida e com maior prevalência no fim do outono e no inverno. Os sintomas desta doença, que é extremamente contagiosa, são corrimento e obstrução nasal, tosse (com ou sem febre), dificuldade respiratória e irritabilidade. A transmissão acontece através do contacto com secreções respiratórias contaminadas.

Nas últimas semanas, a epidemia de bronquiolite intensificou-se em França e tem estado a paralisar as urgências, segundo a “TSF”.  Com a chegada da gripe e de uma (provável) nona vaga de Covid-19, a situação tem-se agravado. As unidades hospitalares já começaram a adiar consultas e cirurgias, avançou o pediatra Rémi Salomon, presidente da comissão médica dos Hospitais de Paris. Isto porque, dos 7000 bebés que chegaram às urgências, mais de um terço foram internados.

Segundo dados do Ministério de Saúde francês, esta é a terceira semana consecutiva em que a bronquiolite representa metade dos internamentos nos hospitais do país. As urgências estão sobrelotadas e já faltam camas: só na última semana, 188 pacientes tiveram de ser atendidos nos corredores. 

“Posso garantir-vos que colocámos todos os nossos meios à disposição para fazer face a esta nova crise provocada pela multiplicação dos casos de bronquiolite. Os nossos dados oficiais anunciaram esta manhã que se trata de uma epidemia que ultrapassa todos os picos registados nos últimos dez anos”, declarou o ministro da Saúde, François Braun.

A situação em Portugal

“Neste momento, o vírus que está a predominar na pediatria é o sincicial respiratório, o VSR”, revela o pediatra Paulo Venâncio à NiT. Este agente viral pode provocar doença respiratória em pessoas de todas as idades, e, geralmente, todos os miúdos até aos 2 anos são infetados por este vírus, que é responsável por maior parte das bronquiolites agudas.

O VSR é a causa mais comum das infeções nas vias respiratórias até aos 5 anos de idade e um dos motivos que leva ao aumento de internamentos durante as estações mais frias. “Este ano a chegada do vírus parece ter sido antecipada, e é o que tem estado a predominar no contexto hospitalar”, revela. Os sintomas começam normalmente com secreções nasais, o chamado pingo do nariz, a tosse, a dificuldade a respirar e/ou uma respiração tipo assobio. “A febre pode, ou não aparecer”, explica o especialista.

Os sinais a que deve estar atento

Os sintomas e gravidade dos mesmos podem variar tendo em conta a idade ou o estado saúde dos mais novos. Em miúdos acima dos dois anos, por regra, o vírus desencadeia apenas constipações e pneumonias ligeiras. Em bebés pode desencadear uma bronquiolite, sendo os que têm menos de seis meses, ou alguma patologia associada, o grupo de maior risco.

Nos recém-nascidos estes sintomas podem tornar-se graves ao ponto de precisarem de apoio médico diferenciado. “Além da limpeza nasal e da aspiração de secreções, os pacientes podem precisar de ajuda na alimentação, que se torna difícil quando não conseguem respirar bem. Pelas mesmas causas podem também precisar de um suporte de oxigénio.”

A tosse mais intensa é também motivo de uma maior irritabilidade, mau estar e vómitos. Nesses casos, é necessário recorrer a uma sonda para que o bebé consiga ser alimentado de forma eficiente, revela o pediatra.

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