Saúde

Equipa de investigadores desenvolve cão-guia robot para ajudar invisuais

Os cientistas querem tornar o acesso a este tipo de apoio mais fácil e barato. Os primeiros resultados foram promissores.
Pode tornar-se mais fácil.

No futuro pode ser mais fácil arranjar um cão-guia. Ou melhor: a um auxiliar robótico que desempenha as mesmas funções. Uma equipa de investigadores da Universidade de Binghamton, em Nova Iorque (EUA), desenhou um robot para ajudar pessoas com dificuldades ou deficiências visuais. A vantagem dos aparelhos é que demoram 10 horas a programar, enquanto um animal requer dois ou três anos de treino.

“Analisámos as estatísticas e apenas dois por cento das pessoas têm a possibilidade de ter um cão-guia”, explicou Shiqi Zhang, autor do projeto. Nos Estados Unidos um destes animais custa, em média, 50 mil dólares, ou seja, cerca de 46 mil euros. Os cães têm de receber, pelo menos, dois anos de treino e apenas metade dos que são treinados acabam por estar aptos para a função.

Em Portugal, os animais são cedidos gratuitamente aos futuros tutores. No entanto, estes têm de suportar o custo “das despesas de manutenção da escola, salários dos colaboradores, alimentação, saúde e material necessário”. No total, a fatura pode chegar aos 18.500€, adianta a Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente Visual.

A equipa de investigadores defende que um cão-guia robot, como aquele que desenvolveu, poderia aumentar a acessibilidade a este tipo de auxiliar. Os investigadores criaram um interface “para afinar o sistema” baseada no movimento que replica o puxar da trela.

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O protótipo do robot.

Após 10 horas de treino, conseguiram que o robot adquirisse a capacidade de navegar em espaços interiores, evitar obstáculos e guiar pessoas — tudo graças à resposta ao tal “puxão” do utilizador.  As demonstrações realizadas aparentam ser promissoras, mas a equipa realça que é necessário mais trabalho de investigação e desenvolvimento antes que a tecnologia esteja pronta para ser utilizada “no mundo real”.

Os próximos passos envolvem também o desenvolvimento de um programa de linguagem, para os futuros donos possam falar com o cão quando necessitam de ajuda. Querem ainda integrar algumas capacidades de decisão, para situações em que as instruções dadas pelos utilizadores possam ser potencialmente perigosas.

Os investigadores vão apresentar os resultados da investigação em ainda durante este mês de novembro, durante a edição de 2023 da Conference on Robot Learning, nos Estados Unidos.

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