Saúde

Especialistas alertam: Europa está em risco de viver uma “pandemia de cancro”

As doenças oncológicas foram colocadas em segundo plano nos últimos anos. Investigadores recomendam agir com urgência.
É preciso recuperar o tempo perdido.

Nos últimos dois anos, a pandemia colocou o mundo inteiro concentrado numa nova emergência. Foi preciso reforçar serviços de saúde, apostar mais em teleconsultas e, na pior fase em Portugal, assistimos a alguns hospitais a passarem por situações limite para darem resposta a tantos doentes. O problema é que todas as outras doenças foram esquecidas e agora podemos ter de lidar com aquilo a que os especialistas chamam de “epidemia do cancro” e que já se espalhou por toda a Europa.

A Covid-19 colocou uma pressão nova sobre hospitais e profissionais de saúde. Mas está também a ter consequências na resposta que é preciso dar a outras doenças — e que não pode ser adiada. De acordo com o relatório “European Groundshot – Addressing Europe’s Cancer Research Challenges: a Lancet Oncology Commission”, publicado na revista científica “The Lancet”, no passado dia 16 de novembro, todos as condicionantes provocaram um atraso assustador no diagnóstico de cancro na Europa.

Segundo os dados recolhidos, os médicos atenderam menos 1,5 milhões de pacientes com cancro no primeiro ano de pandemia, e metade dos doentes não recebeu os tratamentos necessários em tempo útil. Outra das conclusões da investigação é que cerca de 100 milhões de exames não foram realizados. Por isso, agora, os especialistas estão numa corrida contra o tempo para encontrar os casos não diagnosticados. Segundo revelou ao ao jornal “The Guardian” o professor Mark Lawler, da Queen’s University Belfast, presidente e principal autor do estudo, “estima-se que até um milhão de cidadãos europeus possa ter cancro não diagnosticado”.

O atraso dos resultados dos tratamentos é outra conclusão que deixa os especialistas alarmados. E, como identificam no relatório,  é provável que este problema continue a colocar sob pressão os sistemas de saúde oncológicos.

A investigação contou com a colaboração de pacientes, cientistas e clínicos especializados em oncologia de toda a Europa. Os especialistas envolvidos na pesquisa admitem que a “epidemia de cancro” só pode ser combatida com medidas urgentes que impulsionem a investigação para encontrar novas formas de tratamento.

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