Saúde

Especialistas alertam: os camelos podem vir a ser responsáveis por uma nova pandemia

Está a estudada a probabilidade do vírus ser espalhado entre humanos para tentar evitar uma nova pandemia global.
Novo tipo de coronavírus preocupa cientistas

Há mais de um ano que o mundo lida com a covid-19 e, apesar das várias teorias possíveis, ainda não se sabe ao certo como surgiu o vírus nem como se espalhou tão rapidamente entre humanos e por todo o mundo. Ainda assim, é provável que haja um novo coronavírus a que seja necessário estar atento.

De acordo com os cientistas do Predict — um projeto financiado pelo governo dos Estados Unidos e desenvolvido através de cooperação internacional —, citados pela “BBC”, 75 por cento das doenças emergentes que afetam os humanos têm origem em animais. Isto quer dizer que estes especialistas descobriram 1,2 mil doenças com origem animal, até 2020, sendo que a estimativa indica que haverá cerca de 700 ainda por descobrir.

Entre os motivos de grande preocupação dos cientistas deste projeto, há um animal que suscita maior receio: o camelo. É que há um tipo de coronavírus chamado Mers que será dez vezes mais mortífero do que o atual SARS-CoV-2 e que existe entre camelos.

“Qualquer pessoa que contacte com um camelo infetado pode apanhar a infeção”, explicou Millicent Minayo, investigadora da Universidade de Washington, continuando: “Eles podem bater-nos, cuspir-nos, urinar em cima de nós”.

A disseminação deste novo vírus poderá ser especialmente preocupante das zonas do nordeste africano, Médio Oriente e Ásia, onde há grandes criações deste tipo de animais e comunidades inteiras que dependem deles para a alimentação ou como sinal de dote e riqueza.

Originalmente, este coronavírus Mers — denominado assim devido à sua explicação em inglês de síndrome respiratória do Médio Oriente — foi descoberto na Arábia Saudita em 2012. Até 2016 a Organização Mundial da Saúde tinha já descoberto 1761 casos de infeção por este vírus confirmados em laboratório, incluindo 629 mortes associadas.

Em 2019, um estudo da mesma investigadora descobriu 14 camelos no Quénia infetados com o Mers. “Não sabemos como vai ser esta doença, se chegar aos humanos em grande escala”, alerta Millicent Minayo.

Atualmente, a testar a presença deste vírus em humanos — o que já se verificou, sobretudo entre os cuidadores dos camelos —, os especialistas esperam ir a tempo de travar uma nova pandemia.

“Ninguém sabia que a Covid-19 criaria uma pandemia mundial, que viria a ceifar a vida de tantos milhões de pessoas. Portanto, seria bom se pudéssemos prevenir em vez de remediar. A prevenção é melhor do que a cura.”

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