Saúde

Covid: especialistas dizem que podemos nunca atingir a imunidade de grupo

O mais provável, acreditam os epidemiologistas, é que o mundo tenha de aprender a viver com a doença.
A doença poderá tornar-se endémica.

Pode ser impossível alguma vez atingirmos a imunidade de grupo coletiva contra o vírus SARS-CoV-2. Quem o diz é David Heymann, epidemiologista da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres, no Reino Unido, numa entrevista ao “The New York Times” que foi publicada esta segunda-feira, 10 de maio.

Os principais fatores que poderão vir a impedir este objetivo são o aparecimento das variantes mais contagiosas e perigosas, mas também o ritmo lento de vacinação em todo o mundo. O mais provável, acreditam os especialistas, é que o mundo tenha de aprender a viver com a Covid-19.

Atualmente, os principais focos de contágio estão na Índia e na América Latina, locais onde a vacinação está a decorrer de forma mais lenta e a grande exposição ao vírus permite o desenvolvimento de novas e perigosas estirpes. 

Heymann prevê que, nos próximos anos, haja pequenos surtos de Covid-19 em pontos específicos do mundo ao mesmo tempo. No entanto, isto vai acontecer com uma mortalidade bastante menor do que aquela que se tem verificado nos países mais atingidos.

“Esta é a evolução natural de muitas infeções que encontramos nos humanos, sejam a tuberculose ou o VIH”, disse o epidemiologista ao prestigiado jornal americano. “Tornaram-se endémicas e aprendemos a viver com elas e a fazer avaliações de risco sobre como devemos proteger aqueles que queremos proteger.”

Ainda que a imunidade de grupo nunca seja atingida, é importante manter uma vacinação o mais acelerada possível, sobretudo nos países mais pobres onde existem menos doses disponíveis. A queda no número de mortes por causa da vacinação permite acreditar que a doença se venha a tornar endémica, mas menos ameaçadora, como “as doenças que vemos a acontecer com as crianças mais novas”, semelhantes a uma constipação comum.

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