Saúde

Especialistas: não chega dizer que idosos vão ser vacinados, é preciso mudar o plano

Vários médicos criticam o atraso em Portugal, ao contrário da maioria europeia, em incluir os maiores de 80 fora de lares.
Mudanças à vista.

Era uma das questões que mais polémicas levantava, desde que Portugal primeiro apresentou, e depois começou a executar, o seu plano de vacinação contra a Covid-19. Ao longo das últimas semanas, vários especialistas e médicos foram-se insurgindo contra a opção de deixar os idosos, que não estejam em lares, fora da primeira fase de vacinação, quando são eles, claramente, um dos maiores grupos de risco da doença: em Portugal, 70% das mortes pelo novo coronavírus são acima dos 80 anos.

Agora, depois de o governo ter anunciado a inclusão dos maiores de 80 na primeira fase do plano, os mesmos especialistas alertam no sentido de que não chega afirmá-lo sem se entender como se vai fazer, quando e com que vacinas: mas sim aplicá-lo e até fazer um plano novo.

Ao “Diário de Notícias”, o professor catedrático jubilado e especialista em Saúde Pública, Constantino Sakellarides, e o bastonário dos Médicos, Miguel Guimarães são consensuais em afirmar que a medida anunciada na segunda-feira já chega tarde; e urge ser esclarecida.

Para Constantino Sakellarides, diz o DN, perante o “erro” na definição dos critérios e a “intransigência” da task force para operacionalizar o Plano de Vacinação contra a Covid-19, liderada por Francisco Ramos, neste momento “é preciso um plano novo, é preciso saber como se vai fazer essa vacinação”.

Os especialistas lembram que, durante semanas, alertaram a task force para o perigo e incoerência da exclusão dos mais idosos, quando estava cientificamente provado que a doença atacava sobretudo este grupo e que eram estes que estavam a morrer mais. Foram, também, recordando que os outros países, do Reino Unido à Alemanha, incluíam os idosos no primeiro grupo de prioritários — estando ou não em lares.

E acreditam agora que que “foi preciso o poder político intervir para se mudar um erro detetado há dois meses”, mas que isso não chega: “primeiro erram nos critérios, segundo observam o que os outros países estão a fazer e não corrigem, em terceiro, e depois dos contínuos pedidos de peritos para reconsiderarem e discutirem a questão mostram-se absolutamente intransigentes, e só ontem vêm dizer que vão alterar, devido à pressão social e política”, explica Sakellarides.

Alem disso, quando a ministra da Saúde, Marta Temido, afirmou que os maiores de 80 iriam “acrescer aos que já estavam definidos”, fica por perceber como irá funcionar isto no terreno. “Diz que mantém o plano, a seguir vão ser vacinadas as pessoas com mais de 50 anos com patologias e os titulares de órgãos políticos, mas que quem tem mais de 80 também vai ser e todos até ao final de março. Como é que vão fazer isso? É indispensável que tal fique escrito e um novo plano, que considere a idade como fator predominante como acontece em todos os outros países europeus”, frisa Sakellarides.

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