Saúde

“Está de ananases!”: eis o que fazer para aguentar as altas temperaturas sem passar mal

Além de beber muita água, deve ter outros cuidados. Há alguns alimentos proibidos para evitar insolações e outras doenças graves.
Vai estar mesmo muito calor.

As ondas de calor são cada vez mais comuns. São, atualmente, bem mais recorrentes do que eram no tempo em que o escritor Eça de Queirós imortalizou os desabafos do personagem Fradique Mendes num dia de calor tórrido: “é de rachar! Está de ananases!”

Nos últimos anos temos sido surpreendidos com frequência por vários dias consecutivos de temperaturas acima da média e esta semana não foi exceção. Na realidade, esta poderá tornar-se a norma em território nacional até 2050. Vários estudos estimam que nos próximos anos, os termómetros em Portugal podem chegar a valores que, atualmente, se registam em países como o Iraque. Ou seja, bem perto, se não mesmo acima dos 40ºC.

Quando, ao longo de cinco ou mais dias, a temperatura máxima diária é superior em cinco graus em relação ao valor médio diário no período de referência (geralmente de 30 anos) estamos perante uma onde de calor, explica o IPMA.  Este fenómeno tem consequências e é motivo de preocupação para as autoridades de saúde que não se cansam de relembrar as medidas que devem ser tomadas nos dias mais quentes para evitar doenças graves.

“A par das insolações e constipações de verão, devemos ficar atentos às alergias e alterações respiratórias”, lembra à NiT o médico Gustavo Tato Borges, presidente em exercício da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública (ANMSP).

As temperaturas elevadas e os baixos níveis de humidade do ar (descritos no senso comum como “ar seco”) — sobretudo nas áreas urbanas, com menos vegetação e mais afastadas do litoral — podem causar crises alérgicas, mesmo àqueles que normalmente não sofrem deste mal. Os pólenes são os grandes responsáveis, mas a climatização também não ajuda, uma vez que os aparelhos de ar condicionado retiram humidade dos espaços.

Para combater as irritações nas mucosas —causadas quer pelo ressecamento, quer pelas alergias —, o médico aconselha a ter um maior cuidado com o elevado nível de pólenes que se encontram em suspensão no ar nestes dias. É importante manter a hidratação e utilizar “soro ou água do mar para lavar as zonas mais críticas: olhos, boca e nariz”.

No caso dos locais com ar condicionado, o médico alerta que “apesar de serem perfeitos para combater o calor que se faz sentir, a taxa de humidade dos espaços climatizados é baixa, por isso, é importante beber mais água e hidratar também as mucosas“. Um exemplo: após algum tempo num ambiente com ar condicionado, como acontece em muitos locais de trabalho, é comum começar a sentir os olhos secos (e até dores de cabeça, como consequência). Significa que precisam de ser hidratados. Idealmente com umas gotas de soro fisiológico, ou mesmo passar os olhos por água, se não tiver outra alternativa.

Se está a pensar beber um chá gelado ou ir beber umas cervejas para a esplanada com os amigos para refrescar, esqueça. De acordo com o especialista em saúde pública, “os chás acabam por ter um efeito diurético, o que significa que vai acabar por perder mais água do que a que ingeriu. Por isso, acabam por ter o efeito inverso do pretendido”. Já as bebidas alcoólicas são altamente desidratantes. Ou seja, “aquele efeito refrescante provocado por uma cerveja gelada ou copo de vinho branco bem fresco só vai durar uns minutos”. 

Gustavo Tato Borges lembra ainda que é importante “estar mais atento e vigilante aos doentes crónicas, que têm mais propensão para se sentirem mal nestes dias”. Pessoas com tendência para a hipotensão (a tensão arterial baixa) também lidam pior com o tempo mais quente. A exposição ao calor provoca vasodilatação que, por sua vez, provoca diminuição da pressão sanguínea — ou seja, a tensão baixa ainda mais, o que pode provocar náuseas, tonturas e até desmaios.

Comer refeições leves e beber muita água são duas das armas para combater uma subida agreste subida das temperaturas, mas existem outras. Carregue na galeria para descobrir as medidas recomendadas pela Direção-Geral da Saúde para prevenir os efeitos do calor intenso.

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