Saúde

Este é o primeiro robô massagista do mundo — e é especialista em medicina chinesa

A EMMA trabalha os mesmos pontos de pressão evocados há milénios.
Uma robótica novidade.

A medicina tradicional chinesa continua a ter muitos fãs a Ocidente e em breve poderemos começar a vê-la numa nova versão, inteiramente robotizada, que recorre à inteligência artificial. 

A razão para a mudança tem um nome: EMMA. E os seus criadores assumem que é “o primeiro no mundo” deste género. Trata-se de um desenvolvimento agora revelado por um tecnológica de Singapura, a AiTreat. O conceito EMMA já havia chegado à robótica em 2016 mas neste momento deu um salto.

Conta a “CNN” que, Albert Zhang, CEO da empresa, é licenciado em ciências biomédicas mas tem também formação em medicina tradicional chinesa. Na sua prática clínica, Zhang considera que as massagens levadas a cabo sob esta técnica podem ser “entediantes e repetitivas”. O robô está equipado com sensores e visão 3D que permitem distinguir a rigidez muscular.

Com um paciente deitado na marquesa, o EMMA consegue levar a cabo massagens em pontos de acupressão específicos, com um mecanismo a fazer pressão nesses pontos a temperaturas entre os 38 e os 40 graus. Segundo Zhang este tipo de massagens podem ter um papel positivo em termos de medicina preventiva.

A ideia, defende, não é substituir o trabalho de massagista. É poupar também o massagista ao esforço físico e dar margem para que se foque em outras partes dos tratamentos. Outra vantagem apontada é poder tratar mais do que uma pessoa só de uma vez.

“Um especialista só pode ver um paciente de cada vez mas com o EMMA é possível operar dois robôs e ver até quatro pacientes em simultâneo”, acredita. O gestor assegura também que a inteligência artificial do robô permite adaptar o tratamento, preservando assim a ideia de atendimento individualizado, e com uma abordagem holística, que a medicina tradicional chinesa defende.

Em 2018 a Organização Mundial de Saúde reconheceu a medicina tradicional chinesa e defendeu a padronização internacional das práticas. O tema não deixou de ser polémico com alguns especialistas a defender que falta base científica para tal reconhecimento. Parte do debate foi sobre a eficácia da medicina mas também sobre a toxicidade de certas ervas usadas e o comércio ilegal de animais, como o caso dos pangolins, cujas escamas são usadas por alguns especialistas em medicina chinesa.

Indiferente a este debate, o projeto EMMA continua a crescer. O plano é passar já da fase protótipo para ensaios clínicos que deverão decorrer na Alemanha. Em Singapura já há 11 robôs EMMA a serem testados em diferentes clínicas. Para Zhang isto é “apenas o princípio”.

Os robôs e a inteligência artificial vão aos poucos encontrando lugar no setor da saúde. Em junho a NiT já lhe tinha dado conta de Grace, uma enfermeira em modo robô humanóide, que já está no terreno.

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