Saúde

Vai reunir a família no Natal? Saiba como evitar conflitos e questões inconvenientes

Há quem aproveite ao máximo a festa da família e quem só deseja que a noite de consoada acabe — o segredo é respeitar todos.
A noite de consoada por ser um dia tenso para muitas famílias.

Durante a pandemia ficámos confinados em casa e o contactos com outras pessoas foram reduzidos às idas ao supermercado, à farmácia,  ao centro de saúde e pouco mais. Claro que muitos conseguiram manter o contacto com amigos e família através das redes sociais e do telemóvel, mas nem todos têm acesso a esta tecnologia — principalmente os idosos.

A privação de vida social e de convívio fez com que muitas pessoas ficassem menos receptivas aos encontros pós-covid — há mesmo quem ainda não se sinta confortável em contextos que exigem interação com os outros e não saiba como agir. Em consequência da pandemia, “vejo muitas pessoas que não estão disponíveis para conviver — estão mais retraídas, tentam ficar o menor tempo possível em situações sociais. Sentem que a sua casa é o refúgio e o local seguro. Estão mais ansiosos”, avança a psicóloga Rute Agulhas à NiT. 

Mas claro que, como em tudo, há o outro extremo: “Depois há pessoas que estão desesperadas por recuperar o tempo perdido e tudo o que possam fazer agora [em termos de convívio] sabe sempre a pouco.”

Este Natal vai ser, para muitos, a primeira reunião familiar dos últimos dois anos — mas pode não correr exatamente como espera. O melhor é pensar antecipadamente como é que pode tornar estes dias de convívio familiar mais tranquilos e felizes. “Se já vamos com uma perspectiva de que vão existir conflitos que teremos de evitar, sem querer, podemos estar a condicionar à partida a nossa forma de estar”, explica a psicóloga.

Durante a noite de consoada podem sempre surgir algumas perguntas mais inconvenientes ou conversas que quer evitar. Neste caso, Rute Agulhas aconselha a que respeite os limites e a distância que cada um quer ou não manter. “Se calhar há pessoas que chegam a dar beijos e abraços e outras que se encolhem e se mostram mais reticentes a esse tipo de proximidade”, diz.

Outro truque que pode usar para ajudar a que toda a gente se sinta bem durante a época natalícia é “ir perguntando como é que se sentem confortáveis”, explica a psicóloga. Pode começar por perguntar como é que devem dispor os lugares na mesa da ceia, se querem manter a distância ou não.

“O ponto chave para conseguir reunir toda a família no Natal e evitar conflitos é uma comunicação clara e assertiva”, afirma Rute. Devemos evitar os pressupostos e não tomar atitudes baseadas naquilo que achamos que o outro quer ou pensa. Na maioria dos momentos de convívio — sobretudo entre pessoas que já não encontram há algum tempo — é comum fazer perguntas. No entanto, muitas vezes, essa curiosidade (e a forma como é expressa) pode ser sentida como inconveniente pela outra pessoa.

Sentir interesse e querer saber pormenores sobre a vida de familiares e amigos é normal, mas devemos estar atentos à forma como as nossas questões são recebidas. É importante que “perceba quando está a querer saber mais do que a outra pessoa quer contar”, alerta a psicóloga.

Este ano há ainda um agravante que pode causar (ainda) mais desconforto e mal estar durante os jantares de Natal: vivemos dois anos de pandemia e muitas pessoas não resistiram à doença. Esta pode ser a primeira reunião de família sem a presença de um familiar querido e “esse poderá ser um tema mais difícil para uns do que para outros.”

Como lidar com essa ausência e sentimento de perda? Rute Agulhas não tem uma resposta rápida e simples, até porque a forma de viver o luto é diferente para cada um, mas apela ao bom senso: “há temas que podemos abordar noutro momento e não num jantar onde está toda a gente e que se quer que seja um momento de harmonia, convívio e alegria”, concluiu a psicóloga.

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