Saúde

Estudo revela que um terço dos doentes com Covid-19 desenvolve problemas neurológicos

Investigadores analisaram mais de 236 mil pessoas recuperadas da doença.
Problemas podem durar anos

Um estudo publicado esta terça-feira, 6 de abril, na revista “The Lancet Psychiatry” revela que, nos seis meses após a infeção por SARS-CoV-2, um em cada três doentes apresenta sinais de doença neurológica ou perturbação mental. Entre os sintomas mais comuns estão a ansiedade e as alterações de humor, mas há mais.

Depois de analisados os dados de mais de 236 mil doentes infetados com Covid-19, sobretudo dos EUA, os cientistas dizem que, dentro do género, este poderá mesmo ser o “maior estudo” feito até ao momento.

Após terem estado infetados com o vírus, foram diagnosticados com problemas neurológicos ou até do foro psiquiátrico cerca de 34 por cento das pessoas, das quais perto de 13 por cento foi mesmo a primeira vez que lhes fizeram tal diagnóstico. E isso não acontece apenas aos infetados com manifestações mais graves da doença.

“Comparando com a incidência geral de 34 por cento, o diagnóstico neurológico ou psiquiátrico ocorreu em 38 por cento de pessoas admitidas num hospital, 46 por cento delas estiveram numa unidade de cuidados intensivos, e 62 por cento tiveram encefalopatia durante a infeção de SARS-CoV-2”, explica o “Público”.

Além das frequentes queixas de ansiedade, perturbação do humor, uso de substâncias e insónias, algumas das mais graves queixas apontam para acidentes vasculares cerebrais isquémicos (2,1 por cento), demência (0,7 por cento) ou hemorragia cerebral (0,6 por cento). Estes foram números com menor incidência em pessoas que não necessitaram de hospitalização, o que não quer dizer que não tenham também sofrido deste tipo de problemas.

No caso de quem esteve internado em cuidados intensivos, as consequências neurológicas sobem para os 2,7 por cento, sendo que 3,6 por cento daqueles que tiveram uma encefalopatia tiveram uma hemorragia cerebral.

“Estes são dados do mundo real e de um grande número de doentes. Confirmam que há taxas elevadas de diagnósticos psiquiátricos depois da covid-19 e que transtornos graves também afetam o sistema nervoso”, explica o coordenador do estudo e investigador da Universidade de Oxford, Paul Harrison.

Os dados apresentados pelos doentes com Covid-19 foram também comparados com doentes com gripe e com doentes com outro tipo de doenças respiratórias, sendo que os investigadores verificaram que o risco de diagnóstico neurológico ou psicológico era 44 por cento maior em doentes que tinham tido Covid-19. Ainda assim, os investigadores não conseguiram perceber até ao momento o que é que faz com que o risco seja mais elevado nos doentes infetados com SARS-CoV-2.

Este tipo de lesões será crónico, pelo que poderão permanecer durante vários anos.

Ao todo, integraram o estudo 236.379 doentes infetados depois de 20 de janeiro de 2020 e que ainda estavam vivos a 13 de dezembro.

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