Saúde

Face taping: os riscos de usar fita adesiva para disfarçar as rugas

A técnica, que se tornou viral no TikTok, atua como a maquilhagem: age superficialmente, sem gerar mudanças estruturais na pele.
Mais um método que não reúne consenso.

Não há como evitar: os anos passam e o nosso corpo envelhece. Os primeiros sinais são as rugas de expressão um pouco mais vincadas. Um sinal da passagem do tempo que muitas pessoas tentam disfarçar das mais variadas formas. A mais recente é conhecida por face taping e já se tornou viral no TikTok. Consiste em usar fita adesiva para tentar disfarçar estas marcas na pele.

O truque, que tem sido amplamente partilhado, promete acabar com as linhas de expressão e minimizar a aparência das rugas graças a tiras de adesivo, coladas estrategicamente no rosto, de forma a puxar as áreas mais atingidas por estas marcas de expressão. Depois de colocadas, devem ser mantidas durante toda a noite. O objetivo, repetindo o processo de forma continuada, é minimizar radicalmente a aparência das rugas. Como seria de esperar, os vídeos de “antes e depois” são impressionantes. No entanto, a NiT falou com dois especialistas que afirmam que não existem quaisquer evidências de que o truque funcione e, por outro lado, acarreta alguns perigos para a pele.

@face.bbos

Stellen Sie sicher, dass Sie vor dem Anbringen nicht allergisch auf Leim sind #tapingfacial

♬ love nwantinti (ah ah ah) – CKay

O método já não é novo. A Frownies, uma das marcas mais conhecidas de fita adesiva facial, chegou ao mercado em 1989 e há muito que é um dos maiores segredos de atrizes, cantoras, modelo e da sex symbol Raquel Welch, que admitiu aplicá-las à noite na sua autobiografia. O truque é também utilizado no meio artístico por maquilhadores quando querem alterar alguma feição do rosto de um ator ou atriz no âmbito da caraterização de uma personagem. Para isso os profissionais colocam pequenos pedaços de adesivos transparentes em pontos estratégicos do rosto, como têmporas e pescoço, e a fita ajuda a fazer um lifting momentâneo. Porém, não passa disso mesmo. É apenas um método que pode ser utilizado de forma temporária para melhorar a aparência da pele, esticando-a levemente.

Luís Uva, dermatologista e diretor da clínica Personal Derma explica à NiT que o envelhecimento da pele é inevitável e resulta da perda de colagénio que vai acontecendo ao longo dos anos. Por esse motivo, sublinha: “não existe um método simples, que não esteja relacionado com a estimulação desta molécula que funcione a longo prazo”. Uma opinião partilhada pela fisioterapeuta Laura Alves que normalmente utiliza a técnica da fita adesiva, mas noutro contexto e com outros objetivos.

Os perigos do face tapping

O especialista em dermatologia assegura que não é saudável para a pele colocar qualquer tipo de fita adesiva no rosto — e ainda pode atrapalhar o seu ritual de cuidados: “Não vejo benefício nenhum e pode realmente irritar a pele, criar eczemas ou, como se trata de um produto oclusivo, que não deixa a pele respirar, o aparecimento de borbulhas e comedões”.

Além destes efeitos negativos na epiderme, Laura Alves acrescenta que pode ser perigoso. “Este ato que parece inofensivo, ao ser feito sem o acompanhamento profissional, pode puxar músculos que não devem ser puxados”, alerta. A profissional de saúde adianta ainda que utiliza a técnica no rosto — com fitas próprias — no âmbito dos cuidados pós-operatórios de rinoplastias ou blefaroplastias. Nestes casos, o objetivo é drenar os edemas criados pelos procedimentos. A especialista em fisioterapia revela ainda que este adesivo, apesar de não ter qualquer medicamento associado, pode ser utilizado com diversos propósitos. “A forma como se corta e coloca é o que vai ditar o sucesso dos tratamentos. Estes dois passos diferem conforme cada tratamento.”

Conhecida como Kinesio Taping — em homenagem ao seu criador — esta é uma técnica de reabilitação desenvolvida em 1973 para facilitar o processo de regeneração do organismo. As fitas coloridas, aplicadas por um profissional da área, dão apoio e estabilidade aos músculos e articulações sem restringir o seu movimento, promovendo um funcionamento normal.

“Este método prolonga os efeitos de terapias manuais convencionais permitindo que os benefícios terapêuticos se mantenham ao longo de todo o dia, sendo usado para tratar um conjunto alargado de problemas a nível ortopédico, neuromuscular, neurológico, linfático, entre outros”, refere a fisioterapeuta.

A sua utilização com objetivos apenas estéticos, como lembram Laura Alves e Luís Uva, sem o recurso a outras tecnologias ou terapias que estimulem a produção de colagénio, não irá resultar no efeito desejado, no caso, alterar a aparência das rugas.

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