Tudo começou com uma pequena mancha no rosto de Felipa Garnel. “Não era sequer um sinal, era apenas uma mancha que de vez em quando me fazia alguma comichão. Eu coçava, pelava”, explicou a antiga diretora de programas da TVI num vídeo partilhado este domingo, 15 de março, nas suas redes sociais.
Na mesma publicação, a apresentadora, de 61 anos, surge com o rosto inchado e o olho negro, após ter sido operada no Hospital da Luz, no dia 13, a um cancro da pele conhecido como carcinoma basocelular. Esta é a segunda vez que é diagnosticada com esta patologia no espaço de apenas um ano.
Segundo Felipa Garnel, que se encontra em recuperação da operação, o problema deve-se ao facto de “não ter tido cuidado com o sol”.
“A nossa pele tem memória. Não é só o sol que apanhamos hoje, é o que apanhamos em crianças e em adolescentes. Quem tem filhos pequenos ou adolescentes, cuidado. Mostrem o estado da minha cara”.
Após ter partilhado parte do processo com os seus seguidores, Garnel falou esta segunda-feira com a NiT sobre o momento em que descobriu o primeiro cancro, a evolução da doença e o processo de recuperação da cirurgia a que foi submetida. Confessa ainda que o seu desejo é ser um exemplo que pode sensibilizar outras pessoas para terem outros cuidados. “Tudo o que devia fazer, não fiz”.
Como descobriu o primeiro carcinoma basocelular?
A minha filha mais nova tinha uma mancha na cara relativamente fácil de tirar. Fui a um dermatologista, ele tirou e, no fim da consulta, notou que tinha, na zona do decote, um sinal que parecia uma bolha. De vez em quando tinha comichão, mas achei que não era nada. Ele olhou e disse-me logo que era um cancro e que tínhamos de tirá-lo o quanto antes. Perguntou: ‘podemos tirar já?’ E tirei. Foi uma coisa relativamente fácil em que levei oito pontos e ficou resolvido.
Entretanto, o problema voltou.
A partir daí, tive mais cuidado com as idas ao dermatologista. Combinei fazer um check-up e até fui eu que mostrei o que tinha na testa. Ele espreitou, chamou outros dois dermatologistas que desconfiaram de uma ceratose solar, que não é malígna. Tentaram colocar um ácido durante três meses para tirar o que havia de mau, só que não resolveu.
Qual foi o primeiro pensamento? Foi à procura de outras soluções?
Fui a outro dermatologista. Disse-me que deveria fazer uma biopsia, que deu positivo. Há três tipos de cancro de pele e este é o menos invasivo, o de melhor prognóstico. O facto de ser na testa é um sítio mais chato. No meio disto tudo, tive que ser operada e levei muitos pontos, mais de 40.
Que outros sintomas teve?
Não havia sinal nenhum. Não havia mau aspeto. Ou estamos mesmo muito alerta e apanhamos a tempo ou pode progredir rapidamente.
Quanto tempo demorou entre o diagnóstico e a operação?
No segundo caso, demorou mais porque estive a fazer esse tal ácido. A biopsia demora entre duas a três semanas. Mal veio o resultado, marquei a cirurgia com João Goulão [cirurgião dermatológico no Hospital da Luz]. É daqueles médicos que nasceram para isto. Agora vai ser ele a seguir-me. Como tive dois em apenas um ano, o prognóstico não é muito bom. Pode aparecer um terceiro.
Como foi o tratamento? É doloroso?
Fiz a cirurgia com anestesia geral. Não senti nada. Fui operada na sexta-feira [13 de março] e, desde então, não tive muitas dores. Tive medicamentos para aliviar. Hoje [segunda-feira, 16 de março], fui trocar o penso e vi pela primeira vez as cicatrizes, que são bem grandes. Mas não sofri.
Falando sobre a sua experiência, alguma vez teve medo ou manteve-se calma?
Mantive-me sempre calma. Sou muito positiva por natureza. Acho que vejo sempre o copo meio cheio e, portanto, não tive muito tempo. É importante estarmos com um médico em quem confiamos a 100 por cento. O meu deu-me sempre muita esperança e muita confiança.
Quais seriam os riscos se não tivesse sido tratada já?
Não tivemos essa conversa. Sei apenas que, quanto mais cedo apanharem estas coisas, melhor será o prognóstico.
Daqui para a frente, como será a recuperação?
Julgo que, pelo menos, a cada seis meses, tenho de ir ao dermatologista. Agora não posso apanhar mais sol na cara, nem pensar. A minha vida na praia vai mudar. Não é apenas estar ao sol, mas também estar muito tempo no mar. O facto de estar dentro de água ainda é pior. Os cremes saem com a água, os chapéus não se aguentam.
Para quem não esta familiarizado com este problema, é causado apenas pela exposição solar?
O problema não é tanto o sol que apanho agora ou que apanhei nos últimos dois ou três anos. É aquele que apanhei em miúda ou adolescente. Sou de uma geração em que ninguém dizia que o sol fazia mal à pele. Íamos para a praia e fritávamo-nos todos.
Na sua partilha, afirma que “a pele tem memória”. Sente que pode ajudar mais pessoas a ter cuidado com o sol?
Fiz isto para ajudar e sensibilizar outras pessoas para terem muita atenção ao que têm na pele, sejam manchas, sinais ou coisas que fazem muita comichão. E, claro, para terem atenção ao sol. O mal da minha vida foi que nunca usei protetor solar. Tudo o que devia fazer, não fiz e estou a pagar por esses erros. Se for um exemplo, melhor. Quanto mais as pessoas ficarem impressionadas, melhor.
Que conselhos deixaria para as outras pessoas para evitarem algo semelhante?
Acho que, acima de tudo, é muito importante aos pais de miúdos pequenos ou adolescentes incutirem-lhes esta questão. Todos os conselhos que se sabem nos dias de hoje, que é não estar ao sol nas horas em que é mais forte, usar protetor solar todos os dias, independentemente de estar encoberto. Tudo aquilo que nunca fiz. As pessoas têm de criar hábitos como colocar protetor solar antes de sair de casa. Mesmo que esteja a chover.







