Saúde

Fique atento aos sintomas do vírus que mais ataca os miúdos e evite idas às urgências

Chegou a altura do ano mais temida pelos pais, quando os mais pequenos parecem ficar doentes quase todas as semanas.
Afeta mais os bebés.

Os dias mais frios chegaram em força. E com a descida das temperaturas chegam também os malditos vírus que os miúdos parecem apanhar semana sim, semana não, que obrigam a visitas regulares às urgências. Febre, cansaço, tosse (com ou sem expetoração), dores de cabeça e garganta ou até diarreia e vómitos são alguns dos sintomas que deixam qualquer pai ou mãe em estado de alerta. Porém, há doenças virais mais perigosas que outras e umas são até bastante comuns e frequentes. A NiT foi saber qual é a dominante nesta altura do ano e o que pode fazer para ajudar os mais pequenos.

“Neste momento, o vírus que está a predominar na pediatria é o sincicial respiratório, o VSR”, revela o pediatra Paulo Venâncio. Este agente viral pode provocar doença respiratória em pessoas de todas as idades, e, geralmente, todos os miúdos até aos 2 anos são infetados por este vírus, que é responsável por maior parte das bronquiolites agudas.

O VSR é a causa mais comum das infeções nas vias respiratórias até aos 5 anos de idade e um dos motivos que leva ao aumento de internamentos durante as estações mais frias. “Este ano a chegada do vírus parece ter sido antecipada, e é o que tem estado a predominar no contexto hospitalar”, revela. Os sintomas começam normalmente com secreções nasais, o chamado pingo do nariz, a tosse, a dificuldade a respirar e/ou uma respiração tipo assobio. “A febre pode, ou não aparecer”, explica o especialista.

Embora atinja sobretudo crianças saudáveis e bebés de termo, “os prematuros e os recém-nascidos com outras patologias associadas são os que correm maior risco de serem gravemente afetados”, refere Paulo Venâncio.

Os sinais a que deve estar atento

Os sintomas e gravidade dos mesmos podem variar tendo em conta a idade ou o estado saúde dos mais novos. Em miúdos acima dos dois anos, por regra, o vírus desencadeia apenas constipações e pneumonias ligeiras. Em bebés pode desencadear uma bronquiolite, sendo os que têm menos de seis meses, ou alguma patologia associada, o grupo de maior risco.

Nos recém-nascidos estes sintomas podem tornar-se graves ao ponto de precisarem de apoio médico diferenciado. “Além da limpeza nasal e da aspiração de secreções, os pacientes podem precisar de ajuda na alimentação, que se torna difícil quando não conseguem respirar bem. Pelas mesmas causas podem também precisar de um suporte de oxigénio.”

A tosse mais intensa é também motivo de uma maior irritabilidade, mau estar e vómitos. Nesses casos, é necessário recorrer a uma sonda para que o bebé consiga ser alimentado de forma eficiente, revela o pediatra.

O que deve fazer

Reconhecendo estes indícios em bebés abaixo dos três meses, os cuidadores devem ir fazendo a lavagem nasal com soro ou água do mar, aspiração de secreções e ir vigiando os sinais de alarme referentes à dificuldade respiratória e ao aparecimento de febre. “Caso o bebé aparente ter algum destes sintomas mais graves é motivo para ser visto por um médico”, destaca Paulo Venâncio.

Acima desta idade, em casos de febres superiores a 38 graus os miúdos devem ser medicadas e mantidas em casa, com os devidos cuidados. “Só devem visitar um médico quando os pais não conseguem controlar a febre com medicação, ou a mesma já dura há mais de três dias”, aconselha o médico.

Caso o esforço respiratório impeça o sono, ou a tosse seja tão agressiva que deixe os mais novos com vómitos e não seja possível alimentá-los, deve igualmente procurar ajuda especializada. Em caso de dúvida, o especialista recomenda aos pais e cuidadores que se aconselhem primeiro junto do SNS 24, o pediatra ou o médico de família. “Se considerarem necessário, os profissionais farão o encaminhamento para as urgências”, refere.

Durante o mês de outubro, foram internados 41 bebés com o vírus sincicial respiratório (VSR), o que representa 66,1 por cento das hospitalizações em menores de dois anos por infeção respiratória aguda, segundo o mais recente relatório do INSA, relativo à semana de 24 a 30 de outubro. Entre a primeira semana de outubro de 2021 e a última de outubro de 2022 foram reportados 285 casos de internamento por VSR.

Os outros vírus que atingem os miúdos

Além deste agente viral, também o da gripe e outros vírus estarão em circulação nas próximas semanas. Entre eles, um que se chama parainfluenza que provoca laringites e o entrovírus que se manifesta a nível respiratório e gastrointestinal com vómitos e diarreias. Estas doenças virais também se manifestam em miúdos acima dos dois anos. Os bebés até aos 24 meses também são muito afetados pelo coxsackie, mais conhecido como “mãos, pés, boca”; pelo rinovírus e pelo metapneumovírus que provocam também complicações a nível respiratório.

O SARS-CoV 2 continua também a preocupar os médicos, embora na pediatria predominem os quadros assintomáticos, ou com sintomas ligeiros, nesta época.

ÚLTIMOS ARTIGOS DA NiT

AGENDA NiT