Saúde

Fique atento: droga perigosa utilizada em xaropes da tosse já chegou a Portugal

Nos Estados Unidos da América já é moda utilizar a substância. Os especialistas estão preocupados e alertam a comunidade médica.
A droga é muito utilizada em festas.

Codeína. É o nome da droga muito aditiva que está a preocupar as autoridades e as famílias um pouco por todo o mundo. Ao que parece, também já chegou a Portugal. O acesso é fácil e os jovens são o grupo de maior risco.

A Polícia Judiciária (PJ) fez, recentemente, novas apreensões da substância, após sete anos sem registo de casos semelhantes, revela a CNN Portugal com base em dados da PJ a que teve acesso. Os especialistas em estupefacientes alertam que a codeína está a ganhar relevância no mercado ilícito e receiam que o seu consumo se torne generalizado, uma vez que é um dos compostos de um xarope para a tosse comercializado em Portugal.

A última situação que fez soar os alarmes ocorreu em março deste ano quando um homem de 37 anos foi apanhado no aeroporto de Ponta Delgada com 850 gramas desta substância. “Já não há dúvidas de que há difusão no mercado ilícito, é irrefutável”, afirma Ricardo Dinis-Oliveira, presidente da Associação Portuguesa de Ciências Forenses, aqui citado pela CNN Portugal.

A grande preocupação são os miúdos. “As redes sociais estão a impulsionar a procura desta droga, fazendo com que chegue a muitos jovens”, refere Carlos Cleto, técnico superior da Divisão de Prevenção e Intervenção Comunitária do Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).

Um dos problemas apontados pelo especialista é o facto de circular nas redes sociais a informação de que é possível aceder legalmente a esta substância. Há um xarope para a tosse que se vende em Portugal mediante receita médica e que tem codeína na sua composição.

“Há uma maior procura por este fármaco, impulsionada pelas redes sociais”, afirma Carlos Cleto, ao mesmo meio de comunicação, referindo-se aos casos de ingestão de doses elevadas do xarope misturado com refrigerantes. O efeito desta substância no organismo é semelhante ao produzido pela heroína, embora mais lento.

Tal como esta droga, a codeína produz morfina no organismo e, em doses elevadas, pode causar uma depressão respiratória mortal. No Reino Unido, entre 2020 e 2021, o número de mortes causadas por overdose de codeína subiu 25 por cento.

O uso recreativo desta substância muito associada à cultura das festas tem vindo a aumentar. Segundo um estudo recente patrocinado pelo Parlamento Europeu, a procura por este opióide subiu aproximadamente 27 por cento na última década.

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