Saúde

Foi mãe há pouco tempo? Pare de beber vinho e fuja da Coca-Cola

Existem vários mitos sobre o aleitamento materno, mas alguns ditados são realmente verdade. Uma nutricionista explica tudo à NiT.
Leite materno é importante para o bebé.

Muito se tem debatido sobre o aleitamento materno. Nos últimos anos, várias mulheres revelaram que, por opção própria, decidiram não amamentar os seus bebés. Um tema que provoca imediatamente discussão nas redes sociais, com opinião bem vincadas de apoio ou de crítica. 

O leite materno apresenta inúmeros benefícios e pode ser dado ao bebé, de forma exclusiva, nos primeiros seis meses de vida e posteriormente até aos dois anos de idade, enquanto prática complementar da diversificação alimentar. Sabe-se que este leite é um alimento de grande complexidade biológica, com uma composição capaz de suprir as necessidades energéticas, nutricionais e hídricas do bebé durante os primeiros seis meses de vida.

O aleitamento materno tem, por isso, várias vantagens para o bebé e para os pais, principalmente para a mãe. “As mães que amamentam durante um maior período de tempo tem tendência a perder peso mais rapidamente e um maior atraso no início dos ciclos menstruais”, começa por explicar a nutricionista Sofia Carvalho, da plataforma de consultas de nutrição online Healthy.On.

Esta forma de alimentação promove uma diminuição do volume do útero mais rápida e associa-se a uma menor probabilidade de desenvolvimento de algumas patologias, entre elas o cancro da mama e do ovário. Mas claro que também traz algumas situações mais desconfortáveis — que são a razão para muitas mulheres optarem por não amamentar.. 

Muitos bebés não conseguem agarrar o mamilo de forma correta, o que por se revelar um processo bastante doloroso para as mães. Além disso, muitas mulheres sofrem com feridas durante vários meses. Ainda que hajam algumas desvantagens, há realmente mais benefícios, mas cabe sempre a cada mãe decidir aquilo que será melhor para si e para o seu filho.

“Para o bebé, o leite materno não só constitui um alimento de fácil digestão, com energia e nutrientes fundamentais ao primeiro semestre de vida, como serve ainda de veículo de anticorpos e substâncias protetoras vindas da mãe que são de extrema importância para a saúde do bebé”, refere a nutricionista. 

Para os pais, trata-se de uma forma segura, prática e conveniente de alimentar o bebé, já que o leite materno não necessita de preparação, aquecimento e desinfeção. Mais do que fornecer alimento, trata-se de um ato de comunicação que fortalece o vínculo iniciado na gestação entre a mãe e o bebé.

Perante tudo isto, é super importante que a mãe que amamenta siga uma alimentação saudável, variada e equilibrada. “O leite materno é a única fonte de nutrientes do bebé durante os primeiros meses de vida e possibilita-lhe o contacto com uma ampla variedade de sabores presentes na dieta da mãe”, argumenta Sofia Carvalho.

Nesse sentido, há vários mitos que estão associados à alimentação durante a amamentação, como por exemplo a necessidade de fugir de alguns alimentos. “Não tem de eliminar as leguminosas da sua dieta, com medo que provoquem cólicas ao seu bebé. A fibra alimentar não é digerida pelo intestino da mãe e, por esse motivo, não passa para o leite materno”, explica. As cólicas dos bebés estão associadas à imaturidade do seu aparelho digestivo e ao desenvolvimento incompleto da flora intestinal, sendo fisiológicas e perfeitamente normais.  

Ainda no campo dos mitos das restrições alimentares, as mães são muitas vezes aconselhadas a evitar alimentos com um paladar mais intenso, como por exemplo, a cebola, o alho ou os brócolos, por levarem à rejeição do leite por parte do bebé. “À semelhança do que acontece com o leite materno, também o paladar do líquido amniótico é influenciado pela alimentação da mãe. Sabendo que o feto tem contacto com este líquido durante a gravidez, e estando estes alimentos presentes na alimentação da mãe durante esse período, o bebé já terá contactado com eles, pelo que a possibilidade de levarem à rejeição do leite materno é muito reduzida”, esclarece a nutricionista.

O contacto precoce com o sabor dos alimentos com interesse nutricional através do leite materno vai facilitar a sua aceitação no período de diversificação alimentar, pelo que o consumo destes alimentos pela mãe enquanto amamenta é fortemente encorajado.

Será que comer bacalhau e beber cerveja aumenta a produção de leite? A nutricionista responde que se trata de mais um mito. “O que realmente promove a secreção de leite materno é a sucção do mamilo. Assim, quanto mais frequentes forem as mamadas ou as extrações de leite, maior será a sua produção”, acrescenta.

Uma vez que uma pequena parte da cafeína passa para o leite materno e consequentemente para o bebé, a mãe deve limitar a ingestão a apenas 200 miligramas por dia, o que equivale a dois cafés. Caso tenha o hábito de beber chás, refrigerantes, como a Coca-Cola, bebidas energéticas ou comer chocolates — todos alimentos com cafeína —, deverá ajustar a quantidade de cafés diários para não ultrapassar o valor recomendado.

À semelhança da cafeína, também o álcool passa para o leite materno e, consequentemente, para o bebé, cujos órgãos imaturos têm uma capacidade de metabolização muito inferior à do adulto. Por este motivo, o consumo de bebidas alcoólicas deve ser evitado pela mãe.

A par de uma alimentação diversificada, completa e nutricionalmente equilibrada, a mãe deve garantir uma hidratação adequada, fundamental para a sua saúde e para assegurar a produção de leite. As necessidades de ingestão de líquidos durante a amamentação aumentam, não fosse a água o principal constituinte do leite materno, representando quase 90 por cento da sua composição.

No período pós-parto e de amamentação, a mãe que amamenta não deve fazer restrições alimentares severas com o intuito de recuperar a forma física anterior à gravidez. Durante esta fase, são utilizadas as reservas energéticas acumuladas durante a gestação, o que aliado a uma alimentação cuidada e ao início gradual da prática de atividade física, vai promover a perda de peso após o parto.

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