Saúde

Fotógrafo português premiado com imagem comovente que retrata os efeitos da pandemia

Rodrigo Cabrita captou o momento em que uma criança de 13 anos nos cuidados intensivos deixava cair uma lágrima.
Foi captada a 29 de abril de 2020.

O Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central (CHULC) desafiou o fotógrafo Rodrigo Cabrita a registar o dia a dia de vários hospitais durante a pandemia. A 29 de abril de 2020, o português captou uma imagem que lhe valeu um Award of Excellence no concurso de fotografia PoY — Pictures of the Year International, na categoria Spot News.

O CHULC, através das redes sociais, conta que o protagonista da fotografia chama-se Francisco Costa e tem 13 anos. Foi dos primeiros em Portugal a desenvolver uma das manifestações mais complexas da Covid-19, com sintomas semelhantes aos da síndrome de Kawasaki.

“Esteve vários dias na Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital Dona Estefânia. Reagiu à terapêutica após ter sido sedado e entubado. E venceu a batalha”, pode ler-se.

Em entrevista à “TVI24”, este sábado, 27 de fevereiro, Rodrigo Cabrita explica que estava no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, a receber o briefing de uma enfermeira, quando olhou para um quarto e, através do vidro, viu outra enfermeira acarinhar aquela criança. “Quis logo retrarar aquele momento”, conta.

“Esta imagem é também uma homenagem aos profissionais de saúde: aqueles enfermeiros, apesar de estarem dentro daqueles fatos desconfortáveis, não deixavam de, com aquelas luvas amarelas que aparecem na fotografia, acarinhar os doentes”, diz Rodrigo Cabrita.

Naquele momento, enquanto a enfermeira lhe fazia festinhas na cabeça, Francisco soltou uma lágrima. Como estava sedado, Rodrigo sabe que a lágrima não era consciente, sendo apenas uma reação do corpo à medicação que lhe estava a ser administrada. Contudo, o fotojornalista vê um enorme simbolismo naquela imagem.

“Resume tudo o que vivemos desde março. As lágrimas de tristeza choradas por muitas famílias, as lágrimas de muitos profissionais de saúde… E depois, há lágrimas de alegria, como é o caso da família do Francisco, em que tudo acabou por ficar bem.”

Sobre o prémio, Rodrigo garante que não procura notoriedade. “Só fazer o trabalho que sempre fiz e que me preenche. Em relação a esta fotografia, gostava que pudesse passar o sofrimento que a doença provoca. Que a doença está cá e existe”, acrescenta.

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