Saúde

Gémeos siameses unidos pelo cérebro foram separados com sucesso

Foram precisas mais de 30 intervenções e sete cirurgias diferentes para separar as crianças de três anos.
Um caso inédito.

Bernardo e Arthur Lima passaram por sete cirurgias e mais de 30 intervenções até estarem definitivamente separados um do outro. Gémeos verdadeiros, nasceram unidos pela cabeça, há quase quatro anos, no Brasil. As duas últimas cirurgias demoraram mais de 30 horas e envolveram mais de 100 profissionais, sem contar com as horas de prática que foram necessárias antes de avançar com os procedimentos.

Segundo a “Sky News”, os especialistas em cirurgia do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer experimentaram várias técnicas diferentes ao longo dos últimos meses, recorrendo à realidade virtual. Durante estes meses, as crianças foram sujeitas a várias cirurgias no Rio de Janeiro, sob a direção do cirurgião pediátrico britânico Noor ul Owase Jeelani, do Great Ormond Street Hospital, em Londres, no Reino Unido, que acompanhou o caso de perto.

Quando o caso se tornou público foram muitos os especialistas em medicina que duvidaram do sucesso deste procedimento. O líder da equipa no Brasil, Gabriel Mufarrej, chefe de cirurgia pediátrica do Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer, descreveu o momento como uma “realização notável” por parte dos médicos, já que separar os cérebros de Bernardo e Arthur foi um dos processos mais complexos já concluídos dentro desta tipologia.

A complexidade, aliada à idade dos miúdos, fez com que estes se tornassem os gémeos craniópagos mais velhos com uma cabeça fundida a serem separados. “A separação bem sucedida de Bernardo e Arthur é uma conquista notável da equipa no Rio e um exemplo fantástico de por que o trabalho da Gemini Untwined é tão valioso. Não fornecemos apenas um novo futuro para as crianças e as suas famílias, como equipamos os estabelecimentos de saúde locais com as capacidades e a confiança para realizar um trabalho tão complexo e bem sucedido, novamente no futuro.”

Os gémeos estão agora em fase de recuperação no hospital, mas encontram-se bem. Os próximos seis meses serão de reabilitação.

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