Saúde

George e Charlotte foram à cerimónia fúnebre da bisavó. Os miúdos devem ir a funerais?

A NiT falou com a psicóloga Rute Agulhas para perceber se faz sentido os mais novos participarem ou não neste tipo de rituais.
Os príncipes foram acompanhados pela mãe.

Os filhos mais velhos de William e Kate juntaram-se aos restantes membros da família real britânica para prestarem a última homenagem à rainha Isabel II. A cerimónia fúnebre aconteceu esta segunda-feira, 19 de setembro, na Abadia de Westminster, em Londres. A presença dos elementos mais novos foi ponderada até à véspera do funeral. A decisão tomada pelos pais está a ser considerada como um símbolo de continuidade da monarquia.

George, de 9 anos, e Charlotte, de 7, terão demonstrado vontade de participar na despedida pública da bisavó. Esta foi a primeira aparição dos irmãos desde a morte da rainha Isabel II. Os pequenos príncipes de Gales acompanharam a cerimónia durante cerca de uma hora e não contiveram as lágrimas.

A decisão de incluir os miúdos em cerimónias fúnebres “deve partir sempre dos pais, mas tendo em conta a vontade dos filhos”, começa por explicar a psicóloga Rute Agulhas. Contudo, mesmo que a vontade de participarem parta dos mais novos, deve haver o cuidado de não os expor a imagens traumatizantes. “Devem ser integrados, consoante a sua idade e maturidade, nos rituais associados à morte. Excluir os mais novos da cerimónia pode dificultar o processo de luto“, sublinha.

A idade dos miúdos é determinante no momento de decidir. “Quando são mais novos, ou seja, em idade pré-escolar não devem assistir aos serviços fúnebres, mas podem e devem escrever uma carta ou fazer um desenho de despedida, que irá ficar com a pessoa que agora se perdeu.” No entanto, depois do funeral, “se quiserem ir visitar o cemitério, isso deve ser permitido. Devem ir acompanhados por alguém significativo (pai, mãe ou outra pessoa com quem tenham uma ligação próxima) e que saiba gerir a situação”, destaca a especialista em psicologia infantil.

Como explicar a morte aos miúdos?

O príncipe Louis, de 4 anos, não marcou presença na despedida pública ao lado dos irmãos. De acordo com a imprensa britânica, o menino estará com dificuldade em perceber a morte da bisavó. As revelações foram feitas por Kate Middleton em conversa com David Hurley, governador-geral da Austrália, durante a cerimónia.

O miúdo apenas terá começado agora a perceber a importância da bisavó e o que significam todas as cerimónias e homenagens. “O mais novo tem perguntado coisas como ‘achas que ainda podemos brincar quando formos a Balmoral’, uma vez que a bisavó não vai estar lá?”, revelou Hurley, aqui citado pela revista “Hello!”. A rainha Isabel II passou os últimos dias na sua propriedade em Balmoral, Escócia.

A reação do príncipe Louis, explica Rute Agulhas, reflete o facto de “os mais novos, em idade pré-escolar, têm alguma dificuldade em distinguir a realidade da fantasia e podem acreditar, à semelhança do que acontece nos desenhos animados, que as pessoas morrem e depois continuam viver.”

A psicóloga aconselha que, nestes casos, os pais sejam honestos, lembrando-se que o poder de encaixe dos filhos depende muito da sua própria capacidade de ajustamento. “Devem evitar dizer que a avó morreu e está num sono profundo, ou a dormir para sempre, porque esta explicação associa a morte ao sono.” Esta relação pode desencadear problemas relacionados com o processo de adormecimento, podendo espoletar o receio de adormecer e de nunca mais acordar.

O impacto da imagem de Charlotte a chorar

As imagens da princesa a chorar durante o funeral estão a comover o mundo. Vestida de preto, como manda o protocolo, e com dois acessórios escolhidos para homenagear a bisavó, a filha de William e Kate não conseguiu conter as lágrimas. A terceira na linha de sucessão ao trono foi confortada pela mãe e recompôs-se. O momento foi amplamente partilhado nas redes sociais, o que significa que dificilmente será esquecida.

“A imagem da princesa a chorar vai ficar para sempre e é certo que irá vê-la no futuro. É algo que não deve envolver qualquer tipo de preocupação, pois chorar e manifestar tristeza são reações expectáveis em situações de perda e luto“, defende a psicóloga. E lembra que é importante validar as emoções dos mais novos, sejam elas agradáveis ou desagradáveis, e permitir a sua expressão.

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