Saúde

Godzilla: novo injectável para emagrecer é ainda mais eficaz que os anteriores

É semelhante ao Ozempic e o Mounjaro, mas com resultados mais expressivos. Ajudar a perder de 25 por cento do peso corporal.
Está na fase dois de testes.

O Ozempic e o Mounjaro tornaram-se mundialmente conhecidos como “os medicamentos milagrosos para perder peso”. Devido à eficácia sempre precedentes, tornaram-se campeões de vendas. Agora, parece que vão ter um concorrente à altura.

O novo injetável, chamado Godzilla, encontra-se na fase dois dos testes — e os resultados obtidos são “impressionantes”. Continua longe da comercialização, mas o futuro é promissor.

A fórmula foi testada em 338 voluntários dos EUA, entre os 18 e os 75 anos: todos diagnosticados com diabetes tipo 2 e obesidade. O estudo — publicado no New England Journal of Medicine em junho de 2023 — durou 48 semanas. Em menos de um ano, o grupo registou uma perda média de 24 por cento do peso corporal, praticamente um quarto do total. A meio do teste, às 24 semanas, os voluntários já tinham perdido, em média, 17,5 por cento do peso inicial.

“Os resultados são surpreendentes. Uma redução de peso desta magnitude nunca foi observada noutros ensaios de fase dois”, afirmou a autora principal do estudo, Ania Jastreboff, durante o Congresso Europeu sobre Obesidade, que teve lugar entre 12 e 15 de maio, Veneza.

“Podemos quase dizer que este novo medicamento é da mesma família dos anteriores, surge no seu seguimento. Ainda assim tem uma grande inovação: anteriormente o mais potente era o Mounjaro, composto por três hormonas. O Godzilla já tem três”, começa por referir à NiT Miguel Afonso, gastroenterologista e diretor da Gastroclinic.

A glucagon veio juntar-se à GLP-1 e ao GIP, estas duas últimas produzidas no intestino e o primeiro no fígado. Estas hormonas formadas no sistema digestivo, fazem com que o açúcar no sangue seja regulado, existindo uma maior presença de glicose, que consequentemente diminui o apetite e dá uma maior sensação de saciado.

“No fundo, as moléculas presentes na injeção, que tem de ser tomada apenas uma vez por semana na zona da barriga, vão atuar sobre esses três compostos e estimular a sua produção. Desta forma, as pessoas acabam por ter vontade de comer menos e, portanto, não engordam.” A toma do medicamento é sempre feita desta forma porque em vezes anteriores e com outras propostas já foi testado o uso dos comprimidos e ficou demonstrado a eficácia era muito menor.

Neste caso, e embora seja referido que não existe uma explicação para isso, o estudo revelou os resultados foram ainda mais expressivos nas mulheres, que atingiram uma perda de 28,5 por cento de peso, em comparação os 21,1 por cento, nos homens. Os participantes mais obesos foram os que perderam uma percentagem maior e todos os voluntários que participaram no ensaio perderam pelo menos 5 por cento do peso.

É apelativo conseguir que as pessoas com um simples medicamento consigam perder quase um quarto do seu peso total, quase como se tivessem feito uma cirurgia, isto é um número mesmo muito significativo. Ainda assim, é preciso ter atenção a alguns aspetos, avaliar as consequências negativas e os potenciais riscos.”

Para o gastroenterologista é claro que podem surgir efeitos adversos, como a consequente dificuldade de digestão, hepatites, ou até vómitos. “Com os medicamentos anteriores isso já acontecia, portanto, o mais provável é que também aconteça com este. Vimos casos de inflamações do pâncreas e paralisias do estômago, por exemplo.”

Outro dos riscos é a possibilidade da pessoa recuperar todo o peso perdido, porque não fez uma reeducação alimentar que acompanhasse o processo. Ou seja, quando pára de tomar o injetável, volta a engordar. E o próprio organismo pode deixar de responder à medicação, uma vez que esta pode causar habituação.

O professor Naveed Sattar, da Universidade de Glasgow, na Escócia, já trabalhou em ensaios de outras injeções para perda de peso — e afirmou que a Godzilla é a que teve mais impacto, segundo o “Daily Mail”. Acrescentou ainda que o medicamento ainda não atingiu o seu potencial máximo.

“Há cinco ou dez anos, nunca poderíamos ter imaginado que as medicações pudessem causar este tipo de emagrecimento. Se a administrarmos por ainda mais tempo, acho que poderá atingir quase 30 por cento do peso corporal de alguém. Já temos outros ensaios em andamento, com resultados previstos para 2026”, explicou.

Ainda assim, segundo Miguel Afonso, quando esta novidade for comercializada é necessário sensibilizar as pessoas para uma toma consciente. Este tipo de medicação ficou famosa graças a várias celebridades. Muitos foram atrás e tornaram-se dependentes dela.

“A introdução tem sempre de ser feita de uma forma cuidada e acompanhada por uma equipa multidisciplinar. Se assim não for é quase como tomar um antidepressivo sem ir ao psicólogo. Não é assim que se cura uma depressão.”

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