Saúde

Graça Freitas admite nova escalada de casos, mesmo com as vacinas

O desconfinamento terá de ser faseado e com cautela, disse a diretora-geral de Saúde, que admite que janeiro foi "devastador".
A diretora-geral da Saúde.

Numa altura em que o País prepara o desconfinamento, a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, admite que Portugal pode voltar a enfrentar uma nova vaga da pandemia de Covid-19 nos próximos meses — mesmo com a atual campanha de vacinação em curso.

“Uma nova escalada do vírus está em cima da mesa, mesmo com a vacina”, disse, acrescentando: “O vírus sofre mutações. Não estamos livres disso, apesar da vacina. E não sabemos quanto tempo vai durar a imunidade, se vai proteger contra novas variantes ou como vai funcionar a imunidade natural”.

Numa entrevista à RTP, citada pela Lusa, Graça Freitas falou ainda sobre o desconfinamento, apontando a diversidade de metodologias adotadas entre os países e lembrando que não existe uma receita única para saber quando e como o fazer. Deixou, no entanto, quatro indicadores importantes nesta decisão: a incidência cumulativa a 14 dias, a taxa de positividade, a ocupação de camas em unidades de cuidados intensivos e o Rt, ou índice de transmissibilidade. A este nível, sublinhou que Portugal está com um Rt “baixo” e com “uma taxa de positividade inferior a 4 por cento”, mas relembrou a situação preocupante em internamentos e confessou que é ainda preciso “baixar um bocadinho” a incidência.

“Temos de consolidar todos estes valores e esperar ainda que alguns deles melhorem. Gostaríamos que a incidência baixasse mais para termos mais conforto. É preciso ter alguma cautela. Estes desconfinamentos nos outros países também estão a ser faseados”, notou.

Entre as maiores preocupações do confinamento está o encerramento das escolas e as consequências que esta situação pode ter nos alunos, com Graça Freitas a dizer que “a cautela aconselharia a que fosse uma abertura faseada, começando pelos graus de ensino com alunos mais novos”, embora tenha assinalado que não é uma decisão da sua responsabilidade.

A responsável da DGS assegurou que está previsto o arranque da testagem nas escolas com a retoma das atividades letivas e que os rastreios podem ser alargados em função do que for encontrado, mas deixou uma mensagem aos especialistas que defendem a testagem maciça como a solução para o combate à pandemia: “Os testes não são tratamentos nem vacinas”.

Já sobre a vacinação, Graça Freitas reconheceu que “o primeiro trimestre vai ficar aquém das expetativas”, por força da falta de disponibilidade de vacinas, mas mostrou esperança no cumprimento da meta de 70 por cento da população do país vacinada até final de agosto. Sobre um eventual alargamento da utilização da vacina da AstraZeneca a pessoas com mais de 65 anos, a diretora-geral da Saúde não exclui a revisão que já está a avançar em alguns países. “À medida que vamos tendo mais informação de outros países, não o pomos de parte, porque permite vacinar mais rapidamente grupos mais velhos”, disse.

Depois de passar em revista um ano de pandemia no país, que considerou ter sido “muito intenso” e “trágico”, durante o qual assumiu ter tido “momentos” em que pensou em desistir, Graça Freitas lamentou os “números açambarcadores” de mais de 16 mil mortos e 800 mil casos associados à Covid-19, em especial o drama vivido no mês de janeiro, em que Portugal bateu máximos de óbitos e infeções.

“Aconteceu uma avalanche. Juntaram-se alguns fatores importantes e, por vezes, não se consegue prever a sinergia dos fatores. Tínhamos uma nova variante a circular, que aumenta a velocidade de propagação, estávamos no inverno e tivemos temperaturas extremamente frias, mas não havia uma previsão com uma dimensão destas. O que esperaríamos era uma terceira onda um bocadinho maior do que a segunda. O rasto que deixou é devastador”, concluiu.

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