Saúde

Homens transgénero vão ser incluídos nos rastreios gratuitos do cancro do colo do útero

Medida foi anunciada pela ministra da Juventude e Modernização durante uma audição no Parlamento esta quarta-feira, 10 de julho.
É mais um passo no caminho certo.

As pessoas transmasculinas que tenham útero vão passar a ser incluídas nos rastreios do cancro deste órgão. A ministra da Juventude e Modernização, Margarida Balseiro Lopes, anunciou esta quarta-feira, 10 de julho, que a proposta está a ser desenvolvida.

Durante a reunião da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, revelou que estão a ser feitos esforços em colaboração com o Ministério da Saúde para incluir no programa de rastreio do cancro do colo do útero as pessoas registadas com nome masculino, mas que têm útero.

“Prevê-se que esta alteração possa ser feita ainda neste ano, estando disponível no próximo ciclo de rastreios”, acrescentou.

As pessoas LGBTQIA+ continuam a ser alvo de discriminação em diferentes setores, como o acesso ao mercado de trabalho, educação e serviços de saúde, apenas devido à sua identidade de género ou orientação sexual, sublinhou a ministra, com base nos dados de um estudo recente da Agência para os Direitos Fundamentais (FRA), da União Europeia.

O que causa o cancro do colo do útero?

Esta doença oncológica é causada pelo vírus do papilomavírus humano, o HPV. Porém, a contração de uma infeção causa por este agente viral, por si só, não significa que a mulher vá desenvolver um cancro. Existem outros fatores que podem contribuir para que as lesões provocadas pelo vírus evoluam nesse sentido, como o tabaco e o funcionamento do sistema imunitário.

Existem mais de 120 tipos diferentes de HPV, uns são considerados de alto risco e outros de baixo. Cerca de 40 afetam sobretudo os órgãos genitais (vulva, vagina, colo do útero, pénis e ânus). As variantes de alto risco mais comuns são a 16 e a 18, responsáveis por 75 por cento das lesões que se tornam cancerosas.

Os restantes subtipos são considerados de baixo risco, porque embora também provoquem lesões nas mucosas estas tendem a não desenvolver células cancerígenas.  Ou seja, a probabilidade de desenvolver cancro está fortemente relacionada com subtipo do vírus responsável pela infeção. O rastreio permite assim a deteção mais eficaz da mesma e o tratamento de lesões pré-cancerosas já existentes.

Em Portugal, existe um programa de rastreio destinado a todas as mulheres dos 25 aos 60 anos e é feito com base numa citologia e realização de uma pesquisa de HPV em laboratório aos tecidos recolhidos. Se o teste for negativo, só precisa de ser repetido ao fim de cinco anos. Além disso, existe uma vacina que faz parte do plano nacional de vacinação desde 2008. Ainda assim, Fernando Cirurgião reforça: “Mesmo as mulheres inoculadas devem participar nos rastreios, porque a vacina, apesar de cada vez mais eficaz, apenas previne que se contraia a infeção”.

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