Saúde

Inesperado: afinal os tratamentos para a depressão podem ser positivos para o cérebro

A conclusão é de um recente estudo alemão. Os resultados mostram que os procedimentos podem alterar as conexões cerebrais.
Muitas pessoas sofrem com a doença.

A depressão nas suas diferentes formas afeta uma parte crescente das populações dos países mais industrializados e o consumo de medicamentos antidepressivos constitui uma das fatias principais das despesas com a saúde. “Infelizmente a maioria das famílias na nossa sociedade conhece bem esta realidade, que é cada vez mais frequente”, explicou à NiT a psicóloga Sofia Andrade. Porém, ao contrário do que  até aqui se pensava, os tratamentos para esta patologia podem ser benéficos e trazer resultados positivos ao desenvolvimento dos pacientes.

Um recente estudo alemão apresentado no congresso European College of Neuropsychopharmacology (que se realizou em Viena, na Aústria, entre 12 e 18 de outubro) concluiu que existem terapêuticas para a depressão que ajudam a estimular o cérebro e a superar a doença.

“O tratamento para a depressão acaba por mudar a infraestrutura do cérebro, algo que vai contra as últimas expetativas”, revela Jonathan Repple, um dos autores do estudo. “Os doentes mostraram uma maior atividade cerebral do que antes do tratamento. Os resultados podem chegar em seis semanas.” Até agora, pensava-se que este tipo de mudanças no cérebro só ocorriam durante a infância e adolescência, quando o cérebro está a crescer. 

“Verificámos que se este tratamento levar a um aumento da conectividade cerebral, é também eficaz no combate aos sintomas da depressão. Isto dá esperança aos pacientes que acreditam que nada pode mudar e que têm de viver com a doença para sempre, porque está gravada no cérebro”, explicam os investigadores envolvidos.

Os investigadores da Universidade de Muenster na Alemanha analisaram 109 pacientes com depressão grave e compararam-nos com 55 pessoas saudáveis. Os seus cérebros foram estudados com recurso a um scanner de ressonância magnética criado para identificar as conexões cerebrais.

Os pacientes foram tratados para depressão, alguns com terapia electroconvulsiva, outros com terapia psicológica ou medicação, outros com uma combinação de todas estas terapias. Após o tratamento foi possível concluir que não só ultrapassaram a doença, como a função do cérebro melhorou.

A depressão é uma das doenças psiquiátricas mais comuns. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) é um dos principais problemas de saúde no mundo desenvolvido. Estima-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens possam sofrer de depressão em alguma fase da sua vida e os miúdos também podem ser afetadas.

Segundo a OMS, a depressão é o problema de saúde mais prevalente na União Europeia, afetando cerca de 50 milhões de pessoas. As estatísticas revelam ainda que 11 por cento da população europeia irá sofrer um episódio depressivo ao longo da vida e que essa é a segunda maior causa de incapacidade. Portugal ocupa a quinta posição entre os países com mais casos — cerca de 8 por cento dos portugueses estão diagnosticados com essa perturbação.

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