Saúde

Influencer mostra como era quando sofria de um distúrbio alimentar — e a imagem fica viral

Agora, já recuperada, usa a sua conta de Instagram para revelar que nem tudo é o que parece nas redes sociais.

Celulite, flacidez, estrias, barriga inchada ou vestígios de gordura a espreitar por sítios que a sociedade dita que não é adequado. Danae Mercer é a influencer que vai contra tudo aquilo que vemos diariamente nas redes sociais. Recentemente, partilhou com os mais de dois milhões de seguidores do Instagram uma montagem da sua atual imagem e de quando sofreu um distúrbio alimentar. A publicação já soma mais de 215 mil gostos e milhares de partilhas. Mas já lá vamos.

A jornalista de 33 anos tinha 109 mil seguidores naquela rede social em abril deste ano. Poucos meses antes, mudou completamente o rumo da sua conta e, consequentemente, do número de pessoas que a acompanham com toda a atenção.

Numa entrevista à “Vogue”, revela que partilhava conteúdos de fitspo (fitness inspiration) e de viagens de luxo. No entanto, começou a sentir-se desligada do que fazia, já que sabia que o trabalho que acontecia nos bastidores não era o seu “verdadeiro eu”.

“Nessa mesma altura descobri que existia uma artista chamada Sara Shakeel que tinha feito uma série [de imagens] de estrias com glitter. Quando vi um dos trabalhos dela, a forma como eu olhava para o meu próprio corpo mudou instantaneamente. Foi algo verdadeiramente repentino. Comecei a pensar que talvez existisse alguma coisa aqui, que talvez fosse possível ajudar-me a mim mesma e a outras mulheres a mudar a forma como olhamos para esta concha que nos envolve”, conta.

Desde então, Danae Mercer começou a denunciar os truques que as influencers usam nas suas fotografias. Embora não seja contra isso, defende que todas as mulheres devem ter noção de que aquilo, muitas vezes, não é real, e que uma simples fotografia ao espelho pode levar muito tempo para conseguir a roupa e a pose perfeita para esconder celulite ou para que o rabo pareça maior, por exemplo.

Um dos principais motivos para esta mudança foi o facto de ter passado por um transtorno alimentar. “Tive um distúrbio alimentar e passei tantos anos a odiar tanta coisa no meu corpo, ou a sentir-me desconfortável na minha própria pele, a fazer coisas como ir à praia e tapar o meu corpo ou olhar para o espelho e criticar-me de forma negativa. Penso que só nos meus trintas é que comecei a aceitar aquilo que sou, e até a celebrar aquilo que sou”.

À mesma publicação, assim como numa entrevista ao “Insider”, a jornalista dos Emirados Árabes Unidos, que escreve para para publicações como a “CNN”, “Times” e “The Guardian”, explicou que para isso acontecer mudou os media que consumia, começou a expor-se a outros tipos de corpo e outras vozes.

“Comecei a perceber que as coisas que aprendemos enquanto mulheres, todas estas coisas que são defeitos ou que estão erradas em nós, na verdade não o são. Não o são, são tão normais. Basta olharmos para a celulite, por exemplo. Mais de 80 por cento das mulheres têm celulite. Mais de 80 por cento. Quem é que decidiu que a celulite era uma coisa má? É por isso que é tão importante para mim fazer o que faço, partilhar a forma como me sinto em determinado dia, alguma dificuldade que esteja a experienciar ou algo que vai na minha cabeça”, diz à “Vogue”.

A montagem que está a inspirar mulheres por todo o mundo

No final de dezembro, Danae Mercer voltou a usar a sua conta de Instagram para falar de distúrbios alimentares. A acompanhar um longo texto está uma montagem: do lado esquerdo surge na altura em que estava a passar pelo transtorno e à direita como é atualmente.

Partilhou ambas as imagens para que quem ali passe e esteja a passar por algo do género — ou outra coisa qualquer — saiba que as coisas vão melhorar. 

“Todos os dias, recebo mensagens sobre distúrbios alimentares e lutas com a imagem corporal. Como faço para parar de me odiar? Como começo a sentir-me confiante? Como faço para terminar o ciclo da compulsão? Quão. E como. E como? Eu não tenho todas as respostas”, desabafa.

No entanto, deixa uma certeza: se desistirmos, nunca venceremos. Por isso, aconselha a que passo a passo, dia a dia, siga em frente, “até sentir o sol novamente”.

“Nós mulheres somos fortes. Somos incrivelmente, inegavelmente fortes. E temos o poder dentro de nós para encontrar o nosso equilíbrio novamente. Para amar nossos corpos novamente. Para nos abastecermos novamente. Para encontrar o amor próprio novamente. Nós apenas temos que continuar.”

Danae promete continuar a mostrar em 2021 que nem tudo é o que parece e que são usados muitos truques para se aparentar ter um corpo que, na verdade, não reflete a realidade por trás de uma câmara.

“O perigo das redes sociais é que pensamos que são ainda mais a vida real do que aquilo que vemos nas revistas ou na televisão. Mas não é, de todo. É muito filtrado”, disse ao “Insider”.

Carregue na galeria para ver mais montagens virais feitas pela jornalista.

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