Saúde

Instagram esconde publicações sobre o aborto — são consideradas conteúdo sensível

A rede social afirmou estar a corrigir o problema, que descreveu como um erro de programação.
10 estados já proibiram o aborto.

Na passada sexta-feira, 24 de junho, os Estados Unidos da América deram um passo atrás no direito ao aborto legal. Os juízes do Supremo Tribunal do país aprovaram a reversão da decisão do caso Roe Vs. Wade, abrindo assim a porta a que a prática venha a ser proibida em muitos estados norte-americanos. O tema tem sido alvo de muita discussão nas redes sociais, por vários motivos, e agora surgiu mais um. O Instagram está a esconder publicações que mencionam o aborto, e a exigir, em alguns casos, a confirmação dos utilizadores de que são adultos antes de permitir a visualização das mesmas.

Esta terça-feira, 28 de junho, os conteúdos de muitas contas do Instagram administradas por grupos de defesa do direito ao aborto passaram a estar ocultos sob o aviso “conteúdo sensível”. Uma partilha, intitulada “Aborto na América, como ajudar”, publicada numa página com mais de 25 mil seguidores, foi considerada pela rede social como “conteúdo gráfico ou violento”.

O post incentivava os seguidores da página a protestarem contra a decisão de revogar o direito constitucional à interrupção voluntária da gravidez e doar dinheiro a organizações a favor do aborto.

Segundo a agência de notícias Associated Press (AP), a rede social afirmou estar a tentar corrigir o problema, que descreveu como um erro de programação. Um porta-voz da Meta Platforms Inc., proprietária do Instagram, disse, aqui citado pelo jornal “Público”, que a empresa não impõe restrições de idade aos conteúdos sobre aborto. A empresa admitiu, numa publicação no Twitter, que “pessoas em todo o mundo” estavam a ver “’ecrãs de sensibilidade’ em diferentes conteúdos, quando estes não deviam estar a ser mostrados”.

A agência noticiosa adiantou ainda que tanto o Instagram como o Facebook (também da Meta), estavam a esconder publicações que promoviam o envio de pílulas abortivas para estados que restringem o seu uso. A empresa explicou que estavam a excluir estas publicações por violarem as políticas contra a venda ou distribuição de certos produtos, incluindo produtos farmacêuticos, drogas e armas de fogo.

Para a professora da Universidade Cornell Brooke Erin Duffy, que estuda as redes sociais, empresas de tecnologia como a Meta não têm obrigação de explicar como ou por que razão são escondidas ou promovidas determinadas publicações ou palavras-chave. “Tudo pode acontecer nos bastidores e ser atribuído a uma falha”, disse Duffy. “Isso é que é assustador.”

A decisão do Supremo Tribunal dos EUA permite que cada estado possa manter ou proibir o direito ao aborto. Até ao momento, já dez estados proibiram a interrupção voluntária da gravidez na maior parte dos casos.

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