Saúde

Investigadores perto de criar “vacina universal” capaz de combater qualquer vírus

Uma investigação da Universidade da Califórnia aposta no RNA para oferecer uma proteção generalizada contra todos os vírus.
Pode tornar-se numa "vacina universal".

Cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, podem ter descoberto uma “vacina universal”, baseada em RNA, que é eficaz contra qualquer estripe dos vírus. E afirmam que são seguras mesmo para quem tem um sistema imunitário fragilizado ou até bebés.

“O que quero destacar em relação a esta estratégia de vacina é que ela é ampla, aplicável a qualquer número de vírus, eficaz contra qualquer variante e segura para um amplo espetro de pessoas. Pode ser a vacina universal que procurávamos”, afirma Rong Hai, virologista da Universidade da Califórnia, Riverside e autor do artigo publicado a 15 de abril, na revista “Proceedings of The National Academy of Sciences”.

Ao encontrar uma parte do genoma viral que é comum a todas as estripes, as novas descobertas eliminam a necessidade de criar diferentes vacinações. Geralmente, as vacinas tradicionais contêm uma versão viva, morta ou modificada de um vírus. O sistema imunológico do corpo reconhece-lhe uma proteína e, a partir daí, responde com essa informação e com células B de memória — que treinam o corpo para evitar futuros ataques. 

No caso desta nova tecnologia, recorrer-se-ia a uma versão viva modificada de um vírus, mas que não dependeria da resposta do sistema imunitário — antes de moléculas de RNA (ácido ribonucléico) que anulam os genes causadores da doença. “Um hospedeiro que se encontre infetado irá produzir pequenos RNAs como resposta à infeção viral, mas esses não a abatem por completo”, explica Shouwei Ding, professor de microbiologia da UCR e autor do artigo.

Se as doenças existem porque os vírus criam proteínas que bloqueiam a resposta de RNAi do hospedeiro, a criação de um mutante que não consegue produzir a proteína necessária para suprimir o RNAi enfraquece o vírus. “Ele pode-se replicar até certo ponto, mas depois perde a batalha para a resposta do RNAi do hospedeiro”, acrescenta Ding. “Um agente infeccioso enfraquecido desta forma pode ser usado como vacina para reforçar o nosso sistema imunitário RNAi”.

Os estudos foram testados em ratos mutantes, sem células T e B, tendo-se concluído que com uma dose os animais ficavam protegidos de uma quantidade letal do vírus não modificado durante, pelo menos, 90 dias (tendo em conta que nove dias em ratos equivalem a um ano humano, aproximadamente). Mesmo os recém-nascidos produziam pequenas moléculas de RNAi, tornando possível que a vacina também os protegesse. 

A Universidade de Califórnia já avançou com uma patente nos Estados Unidos para esta tecnologia, sendo o próximo passo criar uma vacina contra a gripe direcionada aos mais novos. “Se tivermos sucesso, eles deixarão de depender dos anticorpos das mães”, referiu Ding, 

Embora exista sempre a possibilidade de um vírus sofrer mutações e, de certa forma, anular a proteção da vacina, os cientistas afirmam que “neste caso, o alvo dos milhares de pequenos RNAs é todo o seu genoma”. “Eles não podem escapar”, assegura Hai.

Replicando esta nova estratégia, os investigadores acreditam que poderá ser possível criar uma vacina única para qualquer tipo de vírus. “Existem vários patógenos humanos bem conhecidos, como o dengue e o SARS. Todos eles têm funções virais semelhantes”, pelo que a nova tecnologia “deve ser adequada a esses mesmos”, adiantou Ding.

 

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