Saúde

Investigadores portugueses descobrem proteína eficaz no tratamento do cancro da mama

O cancro da mama triplo afeta 13 em cada 100 mil mulheres em todo o mundo. Esta descoberta pode ser fundamental no combate à doença.
Mais um passo importante.

Investigadores do Instituto de Investigação e Inovação em Saúde (i3S) da Universidade do Porto integraram um estudo no qual foi descoberta uma proteína que permite prever a eficácia da quimioterapia em pacientes com cancro da mama triplo negativo. Este é mais um sinal positivo na luta contra aquela que é uma das doenças mais temidas e também mais comuns no País.

O cancro da mama é o mais frequente entre as mulheres e uma das principais causas de morte por cancro no sexo feminino. No caso português, de acordo com dados do Serviço Nacional de Saúde, são detetados sete mil novos casos de cancro da mama todos os anos. Ao mesmo tempo, 1800 mulheres morrem anualmente vítimas da doença.

No combate à doença é frequente o recurso à quimioterapia e esta nova investigação publicada na revista “Cell Reports“, como revela o instituto da Universidade Porto, abre “portas a uma utilização mais inteligente deste método”.

Além de provocar efeitos secundários muito incómodos, como a fadiga, anemia, náuseas e perda de cabelo, “em cerca de metade dos casos a quimioterapia não é eficaz”, refere o i3S, acrescentando que a equipa de investigadores, da qual fez parte Sandra Tavares, tentou perceber as razões do sucesso ou insucesso dos tratamentos.

Como resultado, descobriram uma proteína, presente nas células tumorais, que permite prever a eficácia da quimioterapia nos pacientes com este tipo de cancro. A investigadora portuguesa afirma que as mulheres com cancro da mama triplo negativo que apresentam elevados níveis de proteína FER, “reagem melhor à quimioterapia com taxanos, um tipo de medicamento normalmente associado ao retardamento da divisão celular e, consequentemente, ao crescimento do tumor”.

“Quando as pacientes não têm esta proteína, a quimioterapia não faz qualquer efeito”, salienta a investigadora, que integra o grupo Cytoskeletal Regulation & Cancer do i3S. Neste momento, os investigadores estão a trabalhar no desenvolvimento de um teste para avaliar os níveis da proteína em tumores de mama triplo negativo.

Sandra Tavares tem vindo a publicar vários estudos sobre este tipo de cancro e alguns deles foram inclusive premiados com Medalhas de Honra L’Oréal Portugal para Mulheres na Ciência.

O cancro da mama triplo-negativo afeta 13 em cada 100 mil mulheres em todo o mundo todos os anos e é responsável por 15 por cento dos cancros mamários invasivos. Triplamente negativo significa que nenhuma das moléculas para as quais existe tratamento está presente nestas células tumorais. Apesar de ser considerado um tipo raro de cancro da mama, o nível de agressividade e metástase rápida são preocupantes porque as opções terapêuticas não funcionam e uma grande maioria das pacientes não sobrevive ao agravamento da doença. 

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