Saúde

Investigadores portugueses descobriram um possível tratamento para o cancro nas cerejas

A investigação mostra resultados promissores da utilização de extratos deste fruto para tratar várias doenças oncológicas graves.
Uma fruta tipicamente portuguesa.

Ninguém tem dúvidas de que os frutos são alimentos saudáveis que devem fazer parte das nossas refeições diárias. Aliás, a Organização Mundial da Saúde recomenda o consumo de três a cinco diariamente. Porém, um novo estudo levado a cabo por uma equipa de investigadores portugueses revela que o consumo de cerejas — em variadas formas — pode ser ainda mais benéfico para a saúde. A pesquisa revela que esta fruta tem efeito na prevenção e tratamento de vários cancros e ainda vantagens no controlo da diabetes.

Um dos benefícios mais conhecidos da cereja é o facto de ser antioxidante, mas também rica em fibra, maioritariamente solúvel, o que contribui “para o bom funcionamento do trânsito intestinal, ajuda à redução da absorção do colesterol e a controlo da glicémia”. Mas, ao que tudo indica, as vantagens não se ficam por aqui.

Nos últimos quatro anos, investigadores da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira têm vindo a estudar os vários compostos desta fruta. E descobriram que a utilização de extratos de cereja no tratamento de vários tipos de cancro apresenta resultados realmente promissores.

Os ensaios laboratoriais têm confirmado as propriedades antioxidantes do fruto, mas os testes já realizados com células cancerígenas humanas mostram que é possível ir mais além.

Luís Silva, um dos responsáveis pela investigação revela à NiT: “verificámos que a cereja matava as células cancerígenas do cancro do estômago, intestino e fígado, ou seja, do aparelho digestivo e que acabam por estar relacionados com a componente alimentar. Porém, também comprovámos que alguns subprodutos, principalmente a flor, mata as células cancerígenas da próstata”.

Foram estudadas 23 variedades da cereja do Fundão, colhidas cuidadosamente das árvores ainda com folha, para que todos os seus subprodutos fossem estudados: folha, caule, o fruto propriamente dito e as flores. 

O próximo desafio, segundo o professor, é passar para os testes in vivo com ratos e chegar aos ensaios clínicos em humanos. “Estes podem ser feitos em simultâneo, uma vez que se trata de um produto natural e sem toxicidade”, refere.

Segundo o investigador, estas vantagens seriam adquiridas apenas pelo consumo desta fruta. “No fundo seria, por um lado pela ingestão regular da cereja, para ter o aporte benéfico do composto bioativo. E, em relação ao cancro da próstata, vimos que a flor deste fruto mata as células cancerígenas”. Neste caso, o tratamento mais indicado seria, por exemplo, a infusão ou chá de flor de cerejeira, que ainda é pouco comercializado.

Luís Silva refere a equipa de investigação está também a trabalhar nesse sentido: “O objetivo agora é produzirmos outros produtos com os compostos da cerejas como as suplementos alimentares ou bebidas funcionais”.

Os resultados são, para já, promissores mas a investigação irá continuar para que possa ser fundamentada a relação causa/efeito entre o consumo de cerejas e o tratamento do cancro. Luís Silva refere ainda que gostava de fazer testes com outras qualidades de cereja, nomeadamente as de Resende. “À partida o que pode mudar são os compostos bioativos e isso pode provocar alterações ou não, teremos de investigar”, explica.

Em simultâneo, o mesmo grupo de investigadores, realizou outros estudos com este fruto. Desta vez sobre o papel das cerejas no combate dos diabetes e na recuperação muscular. Para os mesmos efeitos estão a investigar os benefícios das plantas da Serra da Estrela “no desenvolvimento de formulações para a diabetes, nomeadamente a diabetes tipo II”, explica à NiT o investigador.

Além de todos estes benefícios para a saúde, outra das vantagens da cereja é a sua versatilidade. Carregue na galeria para conhecer algumas receitas onde a pode incluir. 

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