Saúde

Já são 49 os infetados com varíola dos macacos em Portugal — o mais velho tem 61 anos

A maioria dos casos foram identificados em Lisboa e Vale do Tejo, mas também existem registos nas regiões Norte e Algarve.
Outras amostras estão em análise.

Esta quarta-feira, 25 de maio, a Direção-Geral da Saúde (DGS) comunicou o registo de mais 10 casos de infeção humana pelo vírus Monkeypox em Portugal. Ao todo, já são 49 as infeções confirmadas no País. Os pacientes estão em acompanhamento clínico, encontrando-se estáveis e em ambulatório. Aguardam-se os resultados laboratoriais de outras amostras.

“Todos os casos confirmados são de homens entre os 26 e os 61 anos, tendo a maioria menos de 40 anos”, adiantou a entidade em comunicado. A maior parte dos casos identificados pelo Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) localizam-se em Lisboa e Vale do Tejo, mas também os há nas regiões Norte e Algarve, acrescentou.

No momento, ocorrem “inquéritos epidemiológicos dos casos suspeitos que vão sendo detetados, com o objetivo de identificar cadeias de transmissão, potenciais novos casos, respetivos contactos e ainda eventuais locais de exposição”.

A DGS relembrou também que “os indivíduos que apresentem lesões ulcerativas, erupção cutânea, gânglios palpáveis, eventualmente acompanhados de febre, arrepios, dores de cabeça, dores musculares e cansaço, devem procurar aconselhamento clínico”.

Na presença de sintomas, é importante “abster-se de contacto físico direto com outras pessoas e de partilhar vestuário, toalhas, lençóis e objetos pessoais enquanto estiverem presentes as lesões cutâneas, em qualquer estadio, ou outros sintomas”. Aos contactos de risco recomenda-se o isolamento por 21 dias.

varíola dos macacos, como é conhecida, é uma patologia viral, geralmente transmitida pelo toque ou mordida de animais selvagens portadores do vírus Monkeypox, como macacos e roedores na África Ocidental e Central. O período de incubação da doença é geralmente de 6 a 13 dias, mas pode variar entre 5 e 21. Os primeiros sintomas incluem febre, dores de cabeça, dores musculares, inchaço dos nódulos linfáticos, arrepios e cansaço extremo.

Esta enfermidade é, em muitos aspetos, semelhante à varíola humana erradicada em 1979 — mas menos transmissível e menos mortal. Por isso, o risco para a saúde pública é considerado baixo, mas, em alguns casos, a doença pode evoluir para sintomas mais graves.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta a interrupção da vacinação contra a varíola humana em 1980 como um dos motivos que justificam o surto de infeções que se tem vindo a registar em muitos países.

Varíola dos macacos no mundo

No dia 24, a doença foi detetada pela primeira vez na República Checa, Áustria, Eslovénia e Emirados Árabes Unidos.

De acordo com a Agence France-Presse (AFP), citada pela “TSF”, o doente austríaco foi hospitalizado em Viena no domingo com vários sintomas. Sobre o da República Checa sabe-se que terá sido contagiado depois um festival de música em Antuérpia, na Bélgica, onde esteve no início de maio.

Na Eslovénia, o paciente começou a apresentar sintomas após uma viagem às espanholas Ilhas Canárias. Uma mulher de 29 anos que viajou recentemente para o continente africano foi o caso identificado nos Emirados Árabes Unidos.

Reino Unido — onde a doença foi reportada pela primeira vez no início de maio — Bélgica, França, Alemanha, Itália, Holanda, Espanha, Suécia, Suíça, Estados Unidos, Canadá, Austrália e Israel são os outros países afetados até agora pelo surto. Nos países onde o vírus não é endémico, existem mais de 200 casos confirmados até ao momento.

Leia também sobre a descoberta, feita em Portugal, que pode ser fundamental para perceber a origem do surto e as causas da rápida disseminação da doença.

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