Saúde

Joana Amaral Dias: “Fui contratada para divulgar a Prozis, não ideologias e crenças”

A ativista política resolveu manter a parceria com a marca depois das polémicas declarações de Miguel Milhão sobre o aborto.
A psicóloga deu a sua opinião.

A polémica da Prozis deixou de ser só apenas sobre o seu fundador, Miguel Milhão — que escreveu um post no Linkedin a defender a decisão do Supremo Tribunal dos EUA que limita o direito ao aborto naquele país. Agora, também já chegou às embaixadoras e parceiras que continuam, ou não, a colaborar com a marca. Jéssica Athayde, Marta Melro, Diana Monteiro e outras figuras públicas vieram a público confirmar o cancelamento da parceria com a etiqueta de suplementos portuguesa. Por outro lado, a embaixadora da Prozis, Joana Amaral Dias, partilhou esta terça-feira, 28 de junho, um vídeo em que revela os seus essenciais da marca para o verão, demonstrando, assim, que não iria rescindir o seu contrato.

A NiT falou com a ativista política para esclarecer a sua posição sobre o tema. Joana Amaral Dias explicou que não concordava com a opinião de Miguel Milhão, mas optava por, ainda assim, manter a relação profissional com a marca Prozis.

“Eu, tal como milhares de pessoas trabalhamos para patrões, CEO e diretores de empresas. Nem sempre conhecemos as suas ideologias e crenças, porém, mesmo que saibamos e não partilhemos da mesma opinião, isso quer dizer que nos vamos despedir”. E acrescenta: “No caso da Prozis, eu fui contratada para partilhar os produtos da marca, não para divulgar ou partilhar das suas ideologias ou crenças”.

Joana Amaral Dias sublinhou ainda à NiT: “Muitas das pessoas que são influencers, embaixadores ou representantes de marcas não se preocupam em saber quem são os donos, os CEO das grandes empresas mundiais, nem estão importadas em ver quais os ideais que estes defendem. É uma hipocrisia”.

E deixou uma pergunta: “Porque é que muitos se assumem contra a exploração infantil e, no entanto, compram e utilizam peças de roupa e objetos feitos por crianças pagos com uma malga de arroz? Não há coerência”.

A psicóloga clínica fez ainda um paralelismo entre esta situação e as pessoas que recusaram ser vacinadas contra a Covid-19. “As pessoas que agora defendem a pró-escolha, há uns tempos ignoraram o mesmo, fazendo pressão e ostracizando as pessoas que tinham uma opinião contrária e não queriam ser vacinadas. Na altura chegavam a dizer que os não vacinados deveriam ser proibidos de entrar em supermercados e outros espaços públicos, para os obrigar a fazer uma escolha que não queriam, sobre o seu corpo”.

Na manhã desta terça-feira, a comentadora esteve no programa da TVI, “Esta Manhã”, para falar precisamente sobre este tema: “Eu não concordo com a posição de Miguel Milhão e acho que as pessoas têm o direito de se desvincular da marca, da mesma forma que o Miguel tem direito à opinião dele. Toda a gente tem espaço para isso”.

Na altura, a apresentadora Iva Domingues interrompeu-a, questionando:” Quando dizes que a tua opinião é absolutamente nas antípodas do Miguel, não será também uma hipocrisia da tua parte uma vez que discordas usar a tua imagem e voz pública continuar associada à marca. Não faz muito sentido, tens que concordar com isso”. Joana Amaral Dias respondeu: “Eu não tenho uma relação ideológica com a Prozis. A Prozis nunca me proibiu de dizer aquilo que eu penso. Aliás, o Miguel Milhão se não sabia ficou agora a saber que tem uma ativista política com posições completamente diversas dele. Não me despediu por isso e não vou despedir ele por isso. A maneira como vejo o mundo é que devemos ter todos um espaço para ter a sua opinião”.

Questionada pela NiT sobre se se sentiu atacada por ter uma opinião diferente, Joana Amaral Dias negou prontamente: “Não me senti de forma nenhuma atacada. Adoro um bom debate. Apenas não concordo com a opinião da Iva“.

Leia também o artigo da NiT sobre as festas privadas que eram realizadas no escritório da Prozis com cabras anãs e José Castelo Branco a rebolar na palha. 

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