Saúde

Joey ficou (quase todo) queimado, mas o “bichinho do ginásio” nunca o abandonou

Um acidente de carro deixou-o em coma induzido. Após vários meses voltou ao desporto, adaptando os exercícios ao "novo corpo".
Voltou a ganhar confiança no ginásio.

Joey Coco tem 26 anos e vive na cidade de Sarasota, na Flórida (EUA). Proprietário de um negócio de tratamento de janelas, sempre se considerou um “rato de ginásio”. Praticava desporto pelo menos cinco vezes por semana. Aos 18 anos, mais precisamente no dia 6 de maio de 2016, a sua vida mudou: um acidente de carro quase fatal deixou-o com 75 por cento do corpo queimado. E foi precisamente no ginásio que voltou a ganhar confiança.

“O meu corpo ficou queimado nos dedos dos pés, joelhos, canelas, na barriga (acima do umbigo), nos braços, algumas zonas do meu rosto, pálpebras, couro cabeludo e uma pequena parte das minhas costas. Fiquei três semanas em coma induzido e quando acordei senti uma dor extrema e muito calor. Os meus braços estavam suspensos em talas e tinha curativos da cabeça aos pés. Estava todo entubado, não conseguia beber água. Foi a pior sensação da minha vida”, conta à NiT.

Os médicos chegaram a pensar que não iria sobreviver, mas o norte-americano estava decidido a regressar à sua “vida normal” e a recuperar a sua independência. “Disseram-me que talvez nunca mais levantasse o braço acima da cabeça, mas hoje consigo carregar 60-70 quilos sobre a minha cabeça. Também me disseram-me poderia nunca mais conseguir fechar os olhos completamente, mas agora durmo como um bebé. O cabelo também poderia nunca mais voltar a crescer, mas agora tenho uma cabeça cheia de cabelo. Disseram-me que talvez nunca mais voltasse a escrever e a teclar, mas hoje assino cheques e teclo entre 60 a 80 palavras por minuto”, detalha, orgulhoso.

O período em que esteve internado no hospital Tampa General, entre maio e agosto de 2016, foi “horrível”, descreve. “Tinha dores e ansiedade constante para perceber qual seria o próximo passo.” A recuperação foi feita pouco a pouco, todos os dias, com a ajuda de terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas e cirurgiões. “Fiz cirurgias reconstrutivas todas as terças e quintas-feiras, até ao final de julho, com alongamentos e reabilitação muito intensa diariamente. A troca de pensos diária era também muito dura.” 

Teve de reaprender a andar e a comer. “Até final de junho não consegui comer sozinha e beber líquidos até ao início de julho. No acidente também parti a pélvis, o que tornou a parte de reabilitação extremamente difícil. Não consegui andar até agosto, tive de ter ajuda de terapeutas.”

Joey durante o processo de recuperação.

Joey recorda as primeiras coisas que conseguiu fazer quando chegou a casa. “Já conseguia andar, comer e ir à casa de banho sozinho. Também tive de descobrir como usar o comando da televisão novamente.” Demorou cerca de seis meses a voltar a conduzir e a passar um dia inteiro sozinho. Continuou a recuperação numa unidade de ambulatório, onde conheceu uma “pessoa importante”. Mo é fisioterapeuta e personal trainer em part-time. Foi ele o responsável por Joey ter voltado aos treinos.

Teve medo. “E se rasgar a pele ou me magoar?” — pensava sempre que tentava fazer algo novo. Começou por fazer exercícios simples, como bicicleta e flexões de bíceps. “Ainda tinha ligaduras enroladas nos cotovelos para evitar infeções. A ansiedade instalou-se e questionei-me sobre o que poderia acontecer se o meu corpo começasse a suar durante o treino. Lutei contra estes bloqueios mentais. Levantei a barra de curl e voltei a estendê-la para baixo. Uma repetição, depois mais duas. Senti algo que me era familiar e bom: a minha confiança a regressar”, explica. 

No final de janeiro de 2017, Joey terminou o programa de reabilitação, mas decidiu que não ia ficar por ali. Passou a dedicar cada vez mais tempo ao ginásio e viu no exercício físico uma forma de recuperar a sua confiança. O conhecimento que já tinha adquirido antes do acidente ajudou-o a adaptar os movimentos e os exercícios ao seu “novo corpo”.

“Não consigo pegar em halteres, mas apercebi-me que posso enrolar um kettlebell nos meus pulsos e obter o mesmo tipo de bíceps. Já não consigo levantar pesos numa barra normal, mas posso fazê-lo numa máquina Smith. Não consigo fazer pull-ups, mas consigo fazer pull-downs laterais numa máquina”, indica. “No fundo, bichinho do ginásio nunca me abandonou.”

Reaprender a levantar pesos foi a maneira que Joey encontrou para “voltar a ser” ele próprio. “O segredo é nunca deixar de lutar e não nos acomodarmos relativamente àquilo que pretendemos alcançar. Uma mentalidade e determinação fortes é chave”, garante. 

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