Saúde

Jogou por Inglaterra no Mundial e morreu após cabecear a bola mais de 140 mil vezes

Nobby ficou conhecido pelo estilo de jogo duro e combativo enquanto médio defensivo. Teve um fim trágico.

As milhares de vezes que cabeceou a bola de futebol ao longo da carreira contribuíram para a morte de Nobby Stiles. É a conclusão de um estudo sobre o antigo jogador da seleção inglesa, campeão do mundo em 1966, que morreu em 2020, aos 78 anos, com uma forma grave de demência.

Uma investigação judicial mostrou que a encefalopatia traumática crónica (ECT), uma doença cerebral associada a traumatismos repetidos na cabeça, contribuiu efetivamente para a sua morte. A conclusão foi apresentada a 15 de julho, durante o inquérito à morte do antigo médio do Manchester United, no Stockport Coroners’ Court.

Segundo o neuropatologista Daniel Du Plessis, não há dúvidas de que o número de vezes que Stiles cabeceou uma bola ao longo da carreira terá contribuído para o desenvolvimento da doença. O filho do antigo futebolista, John Stiles, explicou que este ato era uma parte muito importante dos treinos.

Numa estimativa, calculou que o pai poderia ter cabeceado a bola cerca de 40 vezes por dia, cinco dias por semana, durante cada temporada de dez meses. Ao longo de uma carreira que incluiu quase 400 jogos pelo Manchester United, o número total poderá ter chegado às 140 mil cabeçadas.

A conclusão do inquérito surge numa altura em que John Stiles integra um grupo de dezenas de antigos futebolistas e familiares que estão a processar a Football Association (FA), a federação inglesa, a Football Association of Wales e a English Football League. Os queixosos alegam que as entidades foram “negligentes e violaram o seu dever de cuidado” ao não protegerem devidamente os jogadores dos riscos associados aos traumatismos repetidos na cabeça.

Nascido em Collyhurst, Manchester, em 1942, Norbert “Nobby” Stiles ficou conhecido pelo estilo de jogo duro e combativo enquanto médio defensivo. Fez parte da equipa que conquistou o Campeonato do Mundo de 1966, o único título mundial da história da seleção inglesa. 

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