Tal como aprendemos em “Anatomia de Grey”, os internos de cirurgia aproveitam os poucos momentos livres no hospital para dormir e estudar. Brandon Axelrod, porém, encontrou uma solução diferente. Aos 27 anos, passa maior parte do tempo a transformar balões em piratas, estrelas da música, personagens de desenhos animados e até instrumentos médicos.
Esse hobby não nasceu apenas da diversão, mas sim da necessidade. Foi a forma que o jovem norte-americano encontrou para fazer algum dinheiro extra, de forma a pagar os empréstimos que fez para conseguir pagar a universidade. O valor chega a 340 mil euros — e ainda lhe faltam três anos e meio de internato, por isso o valor pode aumentar.
Assim, decidiu recuperar uma habilidade que desenvolveu na infância e tentar transformá-la numa fonte de rendimento. “Grande parte do meu apoio positivo vem de outros profissionais de saúde, que me incentivam a continuar ligado às minhas paixões”, contou à revista “People”.
Muito antes de entrar num bloco operatório, já se dedicava à magia. Começou por aprender truques com cartas, moedas e outros objetos quando tinha cerca de cinco anos. “Eram truques pequenos, improvisados e baratos”, recorda.
Aos oito anos, conseguiu convencer os pais a inscrevê-lo em aulas formais numa pequena loja de magia em Long Island. O interesse deixou de ser apenas uma brincadeira: começou a estudar os truques, mas também a disciplina e a componente psicológica associadas à profissão de mágico. Pouco depois, já atuava em diferentes eventos.
Dois anos mais tarde, os balões passaram a fazer parte do repertório. Mais uma vez, Axelrod convenceu os pais a ajudá-lo a desenvolver uma nova competência. Começou pelas figuras mais simples, como cães, espadas e flores, até que uma atuação acabou por mudar a forma como encarava o desafio.
“Lembro-me da primeira vez que alguém me pediu um macaco durante uma atuação e de como me senti ao dizer ‘não sei como fazer’”, conta. A experiência acabou por servir de motivação para tentar ultrapassar os limites daquilo que considerava possível criar com balões.
A partir daí, decidiu que não voltaria a recusar um pedido por não saber executar determinada figura. Seguiram-se anos de prática e criações cada vez mais elaboradas. Buzz Lightyear, Elmo, extraterrestres e Bluey começaram a fazer parte do repertório. Os fins de semana eram preenchidos com festas de aniversário, celebrações comunitárias e eventos religiosos onde mostrava tudo o que tinha aprendido.
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Quando frequentava a faculdade de medicina dentária em Long Island, o trabalho com balões já lhe tinha dado alguma notoriedade nos condados de Nassau e Suffolk. A procura era suficiente para conseguir marcar atuações sem precisar de investir muito em publicidade.
A realidade mudou quando começou a formação em cirurgia oral e maxilofacial em Manhattan, Nova Iorque. Apesar de receber um salário durante a residência, grande parte do valor é absorvido pela renda da casa, alimentação e restantes despesas de uma das cidades mais caras dos Estados Unidos. A situação torna-se ainda mais difícil com a dívida estudantil.
O horário exigente também não facilita a realização de festas ao fim de semana. Em vez de abandonar a atividade, Axelrod decidiu mudar o modelo de negócio. Percebeu que as redes sociais poderiam permitir-lhe rentabilizar o trabalho sem depender da disponibilidade para estar fisicamente presente nos eventos.
“Eu sabia que as redes sociais são uma forma estabelecida de conseguir um rendimento complementar através da monetização”, explica. Em vez de aceitar sobretudo atuações, passou a apostar na publicação de vídeos com as suas criações, na expectativa de conseguir também estabelecer parcerias com marcas.
Os primeiros resultados foram melhores do que esperava. Em apenas três semanas, conseguiu ganhar cerca de 600€ e, desde a publicação do primeiro vídeo, a 23 de janeiro, ultrapassou os 110 mil seguidores no TikTok.
Com o passar do tempo, as criações aumentaram de dimensão. Atualmente, Axelrod constrói figuras à escala humana que podem demorar entre uma e duas horas a terminar. Entre as peças de que mais gosta estão um pirata em tamanho real e uma representação de Bad Bunny com as mesmas dimensões.
A profissão acabou também por influenciar o seu trabalho artístico. Recentemente, decidiu juntar os dois mundos e construiu uma seringa de lidocaína com cerca de 1,5 metros de comprimento para oferecer ao cirurgião que o acompanha na formação.








