Saúde

Morangos continuam a ser o fruto com mais pesticidas

95 por cento dos morangos não biológicos apresentaram níveis detetáveis de pesticidas, revela uma análise das autoridades norte-americanas.
Os morangos são os que contêm mais pesticidas.

Atualmente, é quase impossível encontrar legumes ou fruta fresca que não contenham químicos de todo o tipo, sejam conservantes, herbicidas ou pesticidas. Nos Estados Unidos, a situação tem-se vindo a agravar.

Cerca de 95 por cento dos morangos não biológicos, espinafres e couve, couve-galega, uvas, pêssegos e pêras testadas pelo governo dos Estados Unidos continham níveis detetáveis de pesticidas, de acordo com o 2024 Shopper’s Guide to Pesticides in Produce — um relatório anual que representa as análises da Environmental Working Group (EWG), uma organização da defesa do ambiente. 

Para a lista de 2024 foram testados cerca 47510 amostras de 46 frutas e vegetais, cujos resultados foram divulgados a 20 de março. Os morangos encabeçam a lista dos piores resultados, como o elemento que apresentou maior presença de químicos. Nesse ranking seguem-se as nectarinas, maçãs, pimentos e pimentas, cerejas, mirtilos e feijão verde.

Embora não existam dados concretos sobre Portugal, em 2022, um estudo conduzido pela Pesticide Action Network (PAN) Europe, procurou fazer um retrato do quadro europeu. E conclui que ao longo de nove anos houve um aumento de 53 por centos dos pesticidas tóxicos em 100 mil amostras. As frutas mais contaminadas eram as amoras (51 por cento), pêssegos (45 por cento), morangos (38 por cento), cerejas (35 por cento) e alperces (35 por cento).

Por sua vez, os estudos dirigidos pela Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA) demonstram o contrário. “A tendência demonstrada pelos relatórios da AESA entre 2011 e 2020 é positiva, uma vez que mais de dois terços das amostras (68,5 por cento) não continham quaisquer resíduos em 2020, uma melhoria em relação a 2011, onde foi de cerca de metade (53,4 por cento)”, afirmou a Comissão Europeia. 

A análise norte-americana também criou um ranking oposto, isto é, os produtos que revelaram menos indícios de químicos e pesticidas. Uma lista liderada pelo abacate, seguida de milho doce, ananás, cebolas e papaias. Neste caso, cerca de 65 por cento dos produtos não apresentavam resíduos de pesticidas detetáveis. A lista termina com as ervilhas doces congeladas, espargos, meloas, kiwis, repolhos, melancias, cogumelos, mangas, batatas doces e cenouras.

Os pesticidas acarretam graves riscos para a saúde humana, tendo sido associados a nascimentos prematuros, malformações congénita, abortos espontâneos e um aumento dos danos genéticos nos seres humanos. A exposição aos químicos também tem sido associada a concentrações mais baixas de esperma, doenças cardíacas, cancro entre outros.

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