Saúde

Maçãs e pêras portuguesas entre as frutas europeias com mais pesticidas em 2019

O estudo analisou 97.170 amostras de variedades comuns de fruta cultivada na Europa. Quase uma em cada três estava contaminada.
Dados são preocupantes.

As pêras e maçãs portuguesas ocupam o segundo lugar do ranking relativo à maior proporção de frutas contaminadas no ano de 2019. Foram encontrados pesticidas perigosos em 85 e 58 por cento, respetivamente, das peras e maçãs testadas. Entre 2011 e 2019, as taxas de contaminação destes dois frutos mais do que duplicaram. No mesmo período, registou-se um aumento de 53 por cento da frequência de amostras contaminadas com os piores tipos de pesticidas.

Estes dados, divulgados na segunda-feira, 22 de maio, resultam de um estudo da Pesticide Action Network (PAN), composta por 600 organizações não-governamentais, instituições e pessoas de mais de 60 países. Os resultados obtidos baseiam-se na análise de 97.170 amostras de variedades populares de fruta fresca cultivada na Europa.

A pesquisa indica ainda que, neste período, as amoras (51 por cento das amostras); os pêssegos (45 por cento); os morangos (38 por cento); as cerejas e os alperces (35 por cento) foram os frutos mais contaminados. Bélgica, Irlanda, França, Itália e Alemanha foram os países, por ordem decrescente, que mais contribuíram para estes valores.

Um comunicado da organização, citado pelo “Público”, afirma que o estudo vem contrariar as alegações da Comissão Europeia de que os agricultores estão a utilizar menos químicos associados a cancros e outras doenças graves.

“Tem havido um aumento dramático de fruta vendida ao público com resíduos dos pesticidas mais tóxicos que deveriam ter sido banidos na Europa por razões de saúde”, sublinham os investigadores. De acordo com a pesquisa, no ano em análise, quase uma em cada três (29 por cento) amostras estava contaminada. 

Também os vegetais registaram um aumento do nível de contaminação entre 2011 e 2019, apesar dos responsáveis referirem que esta é menor, por serem menos propensos a pragas. O aipo, a raiz de aipo e couve obtiveram os piores resultados.

Na mesma nota, a PAN Europa aponta técnicas de agricultura biológica para controlar pragas, em resposta aos argumentos da indústria do setor sobre a inexistência de alternativas aos pesticidas. Acusa, igualmente, os governos de atrasar a proibição do uso substâncias nocivas, com vista a proteger os interesses da agricultura intensiva ao usá-las. 

“É claro para nós que os governos não têm qualquer intenção de proibir estes pesticidas, independentemente do que diz a lei. Têm demasiado medo do lobby agrícola, que depende de produtos químicos poderosos e de um modelo agrícola obsoleto”, afirma Salomé Roynel, membro da organização.

A Pesticide Action Network nasceu em 1982 com o objetivo de substituir o uso de pesticidas perigosos por alternativas ecologicamente corretas e socialmente justas. A PAN Europa, criada em 1987, engloba 38 organizações de consumidores, de saúde pública e ambientais, entre outras.

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