Saúde

Maioria das pessoas mais velhas que morreram com Covid-19 não estavam vacinadas

Especialistas presentes na reunião desta terça-feira, 27 de julho, dão conta de momento epidemiológico em Portugal.
Vacinação continua a progredir.

O Infarmed volta a ser palco de uma reunião decisiva. Esta terça-feira, 27 de julho, especialistas e governantes voltaram a sentar-se à mesa para dar conta do momento atual da pandemia em Portugal. Reunião deverá ser decisiva para aligeirar mais restrições, com a vacinação e o certificado digital a tomarem a dianteira na luta contra a Covid-19.

A vacinação, aliás, foi tema em destaque logo nas primeiras intervenções. Ana Paula Rodrigues, do Instituto Dr. Ricardo Jorge, comparando a atual vaga e a vaga de outono, realçou um “aumento entre os 20 e os 49 anos” relativamente aos novos casos. A tendência geral, no entanto, é “decrescente” quando falamos no risco de morrer em todas as faixas etárias, em particular “no grupo mais velho. E isto é devido à vacinação”, salientou.

“O maior número de mortes em pessoas mais velhas foi em pessoas não vacinadas”, destacou ainda Ana Paula Rodrigues. A especialista admitiu que o crescimento nos números verificado desde junho está e ainda será sentido. “Com o aumento de incidência é esperado impacto na mortalidade (embora isto não deva ter o significado que teve) nas vagas anteriores.”

Relativamente à população mais velha, “pela sua inerente fragilidade, o risco de morrer é ainda substancial, o que justifica medidas específicas”, disse ainda. Por outro lado, “Dos 20 aos 39 e dos 40 aos 49 anos vemos que apesar das incidências serem semelhantes nas duas ondas, temos mais internados do que seria de esperar se o comportamento fosse o mesmo o que pode justificar-se pela circulação da variante Delta”, afirmou, explicando que embora o consenso não seja definitivo há mais indicadores que apontam para que esta variante seja, além de mais transmissível, também mais grave em termos de impacto na saúde dos infestados.

Ainda antes, a apresentação na reunião do Infarmed esteve a cargo de André Peralta Santos, da Direção Geral da Saúde, que referiu que a “velocidade de aumento [de novos casos] tem vindo a diminuir”, com destaque para Lisboa e Vale do Tejo e Algarve, onde os números subiram mais cedo e com maior proeminência, logo a partir de junho. A incidência maior atualmente verifica-se nas faixas etárias dos 20 aos 40, aos quais a vacinação foi alargada mais tarde. Verifica-se ainda um “aumento da incidência nas populações mais vulneráveis mas atenuado pela vacinação” nesta vaga mais recente.

Este impacto é sentido ao nível de hospitalizações. “É muito notória a redução de risco de hospitalização em mais de três vezes” quando falamos de pessoas vacinadas, reforçou André Peralta Santos.

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