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Mais de 100 asmáticos morrem por ano em Portugal — a culpa pode ser dos inaladores

A prevenção é fundamental para tratar esta doença. E há erros básicos que muitos doentes continuam a cometer.
A asma é uma doença crónica mas pode ser controlada de forma preventiva

Há cerca de um milhão de asmáticos em Portugal, 700 mil deles com a doença ativa. Ou seja, tiveram sintomas no último ano ou tomam medicação regular. Sendo uma doença hereditária e crónica, não há como evitá-la, mas é possível controlá-la para ter uma vida saudável e sem crises. 

No entanto, é precisamente aqui que o problema começa. 100 pessoas morrem por ano em Portugal com esta doença, na maioria dos casos por falta de controlo adequado. “Temos de mudar estes números. São elevados para uma doença que é perfeitamente controlável com prevenção feita com acompanhamento médico e a medicação certa”, adianta Helena Pité, imunoalergologista.

A informação é a chave e há uma tendência que tem de ser contrariada: o uso excessivo de broncodilatadores, conhecidos como inaladores de alívio. Este medicamento de ação rápida por inalação dilata os brônquios num momento de crise, dando uma sensação de alívio dos sintomas. No entanto, a asma é uma doença inflamatória que não sendo tratada, piora, o que leva a mais crises e ao agravamento da doença. É com o objetivo de informar e diminuir o uso desta opção que foi lançada este ano a campanha “Quebra o Ciclo — Deixa a Asma sem fôlego”, promovida pela AstraZeneca. 

O site da campanha, dedicado ao público em geral mas também a profissionais, conta com diversos conteúdos educativos sobre a doença. Entre eles encontra-se um questionário que permite avaliar o grau de dependência que o doente tem do inalador de alívio, uma informação que pode ser crucial para os médicos adequarem o tratamento.

Uso de inaladores de alívio aumenta o risco de internamento e de morte

A especialista nesta área explica o que se passa na maioria dos casos. “As pessoas têm uma crise e optam pela solução que pode ser encontrada facilmente numa farmácia, os broncodilatadores. Como estes não contêm nenhum antiinflamatório, a doença continua presente e progride. Se numa próxima crise voltarem a recorrer a esta solução, e assim repetidamente, não estão a controlar a doença mas apenas a aliviar a crise que têm de momento. Isto leva a que 43 por cento dos doentes asmáticos não tenham a doença controlada, pois, em vez de fazerem medicação de manutenção, lidam com a asma apenas em urgências”.

O uso desta medicação de urgência, que devia ser apenas um recurso de exceção, já foi diretamente relacionado com o aumento de internamentos e mortes pela comunidade médica.

“A asma não pode ser resolvida com soluções rápidas e fáceis. Já temos tratamentos que permitem ter uma boa qualidade de vida, tanto em casos ligeiros como graves, e muitos deles não implicam sequer uma medicação diária e sim apenas em alturas de crises. É essencial tratar sempre a inflamação, e mesmo as pessoas com asma ligeira, com queixas intermitentes, devem ter um medicamento (ou um conjunto de medicamentos) que possam usar em caso de sintomas e que permita não só o alívio rápido das queixas mas também tratar a inflamação em simultâneo.”

No entanto, apesar da luta dos profissionais para que as terapêuticas adequadas de prevenção sejam cumpridas, são vendidos mais de um milhão de inaladores de alívio por ano, mais de metade sem receita médica e sem medicação anti-inflamatória associada.

Os episódios que dão o alerta para a doença têm sintomas que podem variar entre tosse, pieira, falta de ar, peso no peito e cansaço. Estes podem surgir isoladamente ou em conjunto e o importante é ter noção da sua repetição. Três episódios, que podem ter os mesmos sintomas ou variar, no espaço de um ano, já contam como uma repetição que deve ser avaliada por um médico para concluir se é de facto asma e qual a terapêutica a adotar.

O medo do rótulo nas crianças

A asma é uma doença que não escolhe idades. Na maioria dos casos, a doença tem início na infância e nesta faixa etária os números também não são animadores. Uma em cada três crianças com asma já esteve internada pelo menos uma vez.

“Há um medo da parte dos pais em pôr o rótulo de asmático aos filhos. Mas é importante perceberem que esta doença, apesar de crónica, é controlável e que os filhos vão poder ter uma vida perfeitamente normal se tomarem os cuidados preventivos adequados que os médicos indicarem”, acrescenta Helena Pité.

Em todos os casos, mas especialmente nos das crianças, é essencial saber usar os inaladores que são prescritos, visto que a forma de usar é variável e é importante garantir que a inalação é bem feita, para que o medicamento chegue à via aérea e cumpra o seu propósito.

Este artigo foi escrito em parceria com a AstraZeneca.

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