Saúde

Maria era obesa. Perdeu 13 quilos em 3 meses e hoje é nutricionista

A jovem passou por episódios de compulsões alimentares. Só em adulta conseguiu ultrapassar o problema. Hoje ajuda os outros cuidar da alimentação.
A nutricionista perdeu 13 quilos aos 16 anos.

Aos 16 anos Maria João Resende chegou a pesar 74 quilos. Natural de Ovar, tinha 1,59 metros de altura, o que quer dizer que o seu IMC estava nos 29,5 — muito perto dos 30, onde começa a obesidade. Apesar confessar nunca se ter sentido mal com o seu corpo, sempre foi a maior entre o grupo de amigas. Hoje, com 31 anos, é nutricionista há quase uma década e partilha várias das suas dicas com as seguidoras que tem nas redes sociais.

“O número da balança e das roupas tem muita influência e faz muita diferença em nós. Eu sabia que era diferente das outras raparigas, mas nunca me senti obesa, apesar de ouvir alguns comentários desagradáveis e sentir que era sobrevalorizada pela minha imagem corporal, que me colocava em desvantagem. Aos 14 anos isto começou realmente a mexer comigo, percebi que estava a começar a ficar limitada, não corria tão depressa e estava a ficar para trás”, começa por contar à NiT.

Cada vez que ia às compras queria ter as roupas da moda, como todas as meninas da sua idade, mas tinha sempre de ir à secção dos adultos. Chegou um dia em que foi a própria a pedir à mãe para ir a uma nutricionista.

Em apenas três meses, durante o verão, perdeu 13 quilos e passou do tamanho 42 para o 36. Tudo com muito desporto e sem restrições alimentares demasiado punitivas. É a mais velha de quatro irmãs e cresceu sempre numa família que valorizava muito o momento de estar à mesa.

“Eu tive um plano do mais clássico que existe, quero dizer com isto que continuei a comer tudo o que comia e mantive todos os grupos alimentares presentes na minha alimentação. Aquilo que fiz foi aprender a dosear, há quem não acredite, mas perdi este peso todo a comer pão duas vezes por dia. Claro que quando somos pequenos o nosso metabolismo também ainda está em formação e por isso habituou-se mais rápido.”

Maria aos 8 anos

O processo de emagrecimento trouxe-lhe inúmeros benefícios. O primeiro foi o facto de ter muita mais energia. Passou a correr 40 minutos, quando até então nem cinco aguentava. Sentiu-se mais aceite pelo grupo de amigos que, revela, teve um lado bom e o lado mau.

“Quando voltei à escola para o décimo ano era uma pessoa completamente mudada e fui recebida de maneira diferente. Na altura o que senti é que o meu corpo era o importante, mas isso não é verdade, porque o nosso bem-estar não tem só a ver com o peso, tem também a ver com o peso que damos à imagem corporal.

No final do secundário, quando chegou à altura de decidia a área que queria seguir na faculdade, sabia que iria sempre optar por algo na área da saúde. Queria “ajudar os outros”. Acabou por não entrar em medicina e acabou a tirar nutrição. Foi amor à primeira vista.“Acho que inevitavelmente este gosto está ligado a todo o meu processo: a alimentação, o exercício físico e o autocuidado que aprendi a ter quando fui à nutricionista deram-me esta vontade de querer cuidar de mim e dos outros.”

Hoje em dia, nas suas consultas, defende que os resultados duradouros são conseguidos através de um processo multidisciplinar. E tenta que todos os seus pacientes consigam atingir um estilo de vida saudável sem qualquer tipo de medicação, apenas com práticas naturais.

Maria, depois de perder 13 quilos.

“Aprendi que a melhor coisa que podemos ter é a liberdade alimentar. Se nos empoderarmos e tivermos conhecimento sobre a nossa saúde, é muito mais fácil controlá-la, é este o meu lema, que pratico todos os dias: cuidar da saúde é melhor que cuidar da doença. Se pensarmos bem, os médicos só aparecem nas nossas vidas quando já precisamos de remediar algo. O que temos de fazer é prevenir isso.”

Atualmente, com toda a experiência profissional, sabe que durante infância e adolescência foi obesa e teve uma compulsão alimentar — este último fator que só veio a descobrir mais tarde. “Demorei 15 anos a perceber e a ser capaz de sarar tudo o que aconteceu, não foi fácil. Apesar de ter feito todo um processo de emagrecimento, senti que a minha mente continuava obesa há mesma. Demorei três meses a perder peso, mas foram precisos dez anos para ser capaz de mudar o meu mindset.”

Até à pandemia continuou a ter episódios compulsivos — ou seja, quando há uma ingestão superior ao normal num curto espaço de tempo. Chegava a casa dos pais, ao fim de semana, e comia sem parar. Só percebeu que isso não era normal aos 24 anos, quando procurou ajuda de uma psicóloga.

Percebeu então que este era um problema que nunca tinha ficado resolvido. Aos seus pacientes, Maria João explica que emagrecer não é só perder peso, também envolve um processo comportamental. Esta foi a temática que descobriu que realmente gostava de trabalhar e é por isso que se está a especializar nela, para que possa ajudar toda a gente da forma mais completa possível que conseguir.

Hoje dá consultas online como presenciais, caso esteja em Lisboa ou Ovar (55€). Mas também é formadora de um curso que tem o custo de 150€ e que é composto por quatro vídeo-aulas, onde a profissional ensina como comer e cozinhar melhor.

Existem também os programas de acompanhamento individuais online (235€), nos quais as pacientes são seguidas durante três meses. Neste valor estão incluídas três consultas, um menu mensal adaptado à pessoa, um ebook de acompanhamento a todas as práticas ensinadas e ainda a possibilidade de falar com a nutricionista sobre o seu processo semanalmente.

Há também a possibilidade de participar num desafio de 30 dias, onde o objetivo é adquirir hábitos alimentares saudáveis que possa aplicar no seu processo de emagrecimento e que depois possa levar consigo para o resto da vida.

Por fim, está disponível o programa de emagrecimento 360 “Viagem da Transformação” (450€), onde conta com a ajuda de outros três profissionais: uma psicóloga com experiência em compulsão alimentar, que dará duas aulas ao vivo em formato online; uma PT que dará aulas de grupo online todas as semanas e que fará um plano de treino individual para cada participantes; e ainda uma professora de ioga que vai debruçar-se mais sobre a parte da respiração e ensinar a aproveitar as refeições e todos os seus sabores.

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