Saúde

Matay perdeu 80 quilos. Agora treina às 6 da manhã e já não é “refém da motivação”

O cantor recorreu a uma cirurgia metabólica, mudou a alimentação e encontrou no ginásio e no jiu-jitsu uma nova rotina.

Durante grande parte da sua vida, Matay habituou-se a viver com excesso de peso. Tentou dietas, passou por nutricionistas, experimentou fármacos e chegou até a participar em reuniões de programas de emagrecimento. Os resultados, porém, nunca se mantiveram durante muito tempo. Há cerca de um ano e meio decidiu tentar novamente, desta vez com acompanhamento multidisciplinar. Desde então, perdeu 80 quilos.

A transformação do cantor, de 40 anos, tornou-se particularmente evidente nos últimos meses, mas não aconteceu apenas graças à alimentação ou ao exercício. Matay submeteu-se a uma cirurgia metabólica bariátrica, concretamente um sleeve gástrico, que reduz a dimensão do estômago.

Antes da intervenção já tinha começado a perder peso. “Logo no primeiro mês já tinha emagrecido 10 quilos”, conta à NiT. O processo foi acompanhado por uma equipa com profissionais de diferentes áreas, incluindo nutrição e psicologia.

“Já há algum tempo que comecei a projetar esta mudança e fui fazendo várias tentativas com dietas. Experimentei alguns fármacos, fui inclusive a reuniões de Herbalife e tive várias consultas com nutricionistas. Na verdade, nunca resultou”, diz. Houve mesmo uma altura em que percebeu que não queria depender de medicamentos para controlar o peso.

O cantor recorda um jantar onde várias pessoas levavam consigo comprimidos associados aos processos de emagrecimento. A imagem ficou-lhe na memória e ajudou-o a perceber que não era esse o caminho que pretendia seguir.

A saúde acabou por pesar na decisão. O cantor foi diagnosticado com apneia do sono associada ao excesso de peso e decidiu procurar uma solução acompanhada por profissionais. Foi através do Centro de Inovação Médica que avançou para a cirurgia e para uma mudança mais abrangente dos hábitos.

“Antes da operação já tinha emagrecido 10 quilos. Entretanto, perdi mais 10 até começar a treinar. Depois, o resto acabou por ser uma combinação entre cuidar da alimentação e a atividade física”, explica. Ao contrário de outras tentativas, desta vez o exercício ganhou um papel central. Matay treina no Lemon Fit, nas Olaias, e passou a fazê-lo praticamente todos os dias, com acompanhamento de personal trainer e avaliações físicas periódicas.

 
 
 
 
 
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A maior dificuldade foi encontrar espaço na agenda. Com três filhos e uma rotina familiar para gerir, percebeu que treinar ao final do dia retiraria demasiado tempo à família. A solução obrigou-o a acertar o despertador para muito mais cedo.

“Os meus treinos são praticamente de madrugada. Vou treinar às seis da manhã todos os dias”, revela. “Tive de encontrar uma maneira de tirar menos tempo à família. Ao final do dia já existe o cansaço acumulado, os banhos, os jantares e as outras atividades dos miúdos.”

Cada sessão dura normalmente cerca de uma hora, embora possa chegar aos 90 minutos quando tem maior disponibilidade. Em alguns dias chega mesmo a fazer dois treinos.

Do ginásio ao jiu-jitsu

A rotina não se resume às máquinas e aos pesos. Matay começou também a praticar jiu-jitsu na Gracie Barra, no Parque das Nações, em Lisboa, modalidade que tenta encaixar duas vezes por semana. A isto juntam-se cerca de cinco sessões semanais de ginásio.

“Para mim, o jiu-jitsu está ali no topo”, confessa. A modalidade acabou também por resolver uma pequena incompatibilidade entre o cantor e os exercícios cardiovasculares. “Eu e o cardio não somos grandes amigos, tento sempre fugir um bocadinho. Como faço jiu-jitsu, acaba por compensar, porque é muito físico e tem muitos picos de intensidade.”

No ginásio, prefere trabalhar os grandes grupos musculares. Costas e peito estão entre os treinos favoritos, embora garanta que também não foge ao dia de pernas.

Mais importante do que encontrar exercícios de que gosta foi conseguir transformar a atividade física numa rotina. Matay garante que deixou de depender daquela vontade inicial que tantas vezes desaparece algumas semanas depois de se começar a treinar.

“Já não sou refém da motivação. Já não interessa se estou motivado para treinar, se tenho vontade ou se me apetece acordar cedo. Eu simplesmente vou”, explica. “Há muito mais manhãs em que não tenho vontade nenhuma do que aquelas em que tenho vontade de treinar.”

Também encontrou uma diferença importante em relação às tentativas anteriores: desta vez, a mudança não acontece isoladamente. A mulher, Maria, de 39 anos, e os três filhos, Vicente de 13 anos, Santiago de 10 e Francisco com 4 também praticam exercício.

“A minha mulher treina, os meus filhos treinam e a alimentação cuidada é partilhada por todos. Acho que nos outros processos em que estive envolvido era uma coisa mais isolada. É muito importante termos pelo menos o nosso núcleo a participar na transformação.”

Essa dimensão familiar ajudou a manter a disciplina, mas não eliminou as dificuldades. Matay admite que o processo está longe de ser simples. “Se fosse fácil, já tinha conseguido fazer isto há mais tempo.”

Os primeiros resultados acabaram por funcionar como estímulo. As roupas começaram a servir de forma diferente, surgiram os comentários de familiares e amigos e algumas tarefas do quotidiano tornaram-se mais simples. A mudança é particularmente evidente para quem o conhece há vários anos. O próprio cantor conta que há pessoas que demoram alguns segundos a reconhecê-lo quando o encontram. Afinal, durante praticamente toda a vida foi visto com um corpo muito diferente.

Matay recorda que o excesso de peso o acompanha desde a infância. Vestia roupa destinada a idades superiores e chegou muito cedo a usar as calças do pai. Ainda assim, garante que nunca deixou completamente o desporto. Ao longo dos anos passou pelo rugby, ténis de mesa, ginástica e grupos de dança.

Também não descreve a transformação atual como uma tentativa de corrigir uma vida passada em conflito com o espelho. Já afirmou que era um “gordo feliz” e que sempre conseguiu viver bem no próprio corpo. O que mudou agora foi sobretudo a relação com a saúde e com aquilo que consegue fazer fisicamente.

“A personalidade diria que não mudou, mas há sempre influência na parte emocional. Sentimo-nos melhor e existe um aumento da autoestima. Sentimo-nos mais bonitos”, admite.

Há também pequenas conquistas que anteriormente passariam despercebidas. Pode escolher roupa pela preferência pessoal e não apenas pelo tamanho disponível, tem mais resistência física e consegue realizar movimentos que antes exigiam maior esforço. “Quando mais não seja, apertar os atacadores”, exemplifica.

Apesar de já ter revelado que eliminou 80 quilos, existe um número que continua guardado. Matay não quer, para já, contar quanto pesava quando iniciou o processo. “Mais à frente conto-vos esse segredo”, brinca. E também prefere uma palavra diferente quando fala dos quilos que desapareceram: “Deitei-os fora, porque não quero encontrá-los.”

Esta segunda-feira, 24 de agosto, assinalou publicamente a transformação nas redes sociais. “Menos 80 quilos. Mais vida”, escreveu, explicando que encara o resultado não apenas como uma mudança estética, mas como uma escolha pela saúde e por aquilo que ainda pretende viver.

Um ano e meio depois de começar o processo, o treino das seis da manhã deixou, portanto, de depender da disposição com que acorda. Há dias em que a vontade não aparece. Matay levanta-se na mesma e vai treinar.

Carregue na galeria para ver a transformação de Matay ao longo do processo que o levou a perder 80 quilos

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