Saúde

Médico português: “Ser contra a vacina é ser responsável por mortes e sofrimento”

Gustavo Carona, médico intensivista e anestesista no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, chega mesmo a falar de egoísmo.
Vacinação cá começou a 27 de dezembro.

Gustavo Carona tem sido uma das vozes mais ativas a alertar a população portuguesa para os reais perigos da Covid-19. Fá-lo a partir de crónicas na comunicação social e das suas próprias redes sociais. A 28 de outubro, após ter recusado um convite para ir ao “Dia de Cristina” juntamente com a mãe, o médico intensivista e anestesista decidiu publicar um vídeo no YouTube.

“Isto não é tempo para contar historinhas, é tempo para informar”, disse na altura no vídeo que se tornou viral em Portugal, somando, até à data, quase 400 mil visualizações.

O profissional de saúde do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, que também já fez várias missões em países como o Paquistão, Congo e Afeganistão, continua a ser uma voz que consegue chegar aos portugueses e uma das suas mais recentes publicações na página pública do Facebook é a prova disso.

Ser contra a vacina é ser contra salvar vidas por Covid. É ser contra a protecção de doentes não-Covid. É ser contra a recuperação económica. É ser responsável por mortes e sofrimento. É ser extremamente egoísta”, estas palavras receberam, em cerca de 48 horas, quase dois mil gostos e centenas de comentários e partilhas.

No dia seguinte, 28 de dezembro, mais uma publicação viral, desta vez a questionar o porquê de haver tanta gente contra a vacina nas redes sociais, e nos hospitais a esmagadora maioria não só está a favor, como está a vacinar-se.

“Não estamos a falar da saúde de um indivíduo, mas sim das vidas de toda a população”

Gustavo Carona pergunta-se porque é que são os mesmos que negam a doença e não compreendem a sua gravidade? “Que negam a importância das máscaras? Que negam a relevância dos testes? Que se queixam dos danos colaterais nos doentes não-Covid? Que gritam pelas liberdades e pela proteção da economia? E agora negam a eficácia e segurança da vacina?”

O médico de 39 anos relembra que, tal como todas as doenças altamente contagiosas, não se trata da saúde de uma só pessoa, mas sim das vida de uma população inteira. “Na dúvida, sejam sensatos”, pede.

No início de novembro, numa entrevista à NiT, Gustavo Carona disse-nos que o dia a dia hospitalar em tempos de pandemia tornou-se difícil. Nós vamos fazendo das tripas coração, literalmente, e tentando adaptarmo-nos à realidade. Ou seja, tentamos dar sempre mais um bocadinho”, desabafa à NiT. 

Ao tentarem fazê-lo, explicou na altura, estão a fazer várias coisas pela negativa em relação aos doentes: diminuir um pouco os critérios de qualidade, algo “inevitável”; cometer mais erros, seja nos doentes Covid ou não Covid; e obrigatoriamente ocupar outras áreas do hospital e — “o mais importante disto tudo” — roubar recursos humanos a outras áreas. 

Nesta mesma entrevista, o especialista do hospital de Matosinhos falou da importância de os influencers portugueses utilizarem a visibilidade para salvar vidas. “É vital nós trazermos essas pessoas para dentro de uma estratégia informativa e explicar à população que não podemos não querer saber, não estar informadas — e obviamente que a informação tem de ser válida e de qualidade — e este é o momento. Este apelo será válido para muitos meses, que é credibilizar e homogeneizar a qualidade da informação. Temos mesmo de contar com todos para que o ruído, a confusão e a desinformação não ganhe espaço.”

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