Saúde

Médicos alertam: não são só os idosos e doentes crónicos que devem levar a vacina da gripe

Mais de 2 milhões de vacinas começaram a ser administradas em lares, doentes e profissionais dos cuidados integrados, profissionais do SNS e grávidas esta segunda-feira, 27 de setembro.
vacinação contra a gripe já começou

A primeira fase da vacinação contra a gripe começou esta segunda-feira, 27 de setembro, em todo o País. Este ano começou mais cedo que o habitual devido à pandemia, havendo quase três milhões de vacinas para serem administradas, mais 400 mil do que no ano passado. No total serão 2.24 milhões de doses para o Serviço Nacional de Saúde e 700 mil para as farmácias.

Mas será que está apenas indicada para idosos e pessoas com doenças crónicas? A NiT falou com o Gustavo Tato Borges, vice-presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, para tentar perceber se a população saudável em idade ativa também deverá ou não recorrer à toma da vacina da gripe. “A vacina da gripe é uma vacina segura e eficaz que nos protege e dá-nos mais segurança no contacto com pessoas que estejam com gripe e portanto é sempre uma mais valia para todos aqueles que a desejam tomar”, explica. 

Quanto ao limite de idades para a toma, Gustavo esclarece que esta vacina está autorizada a ser administrada a crianças com seis meses ou mais de idade e portanto qualquer pessoa que pretenda pode usufruir desta vacinação. No entanto, “os efeitos nocivos da gripe também aumentam com o fator etário, ou seja, quanto mais idosos formos, maiores são os riscos de desenvolver uma doença grave e normalmente as crianças até nem costumam apresentar este tipo de sintomas”, esclarece.

Segundo a Direção Geral de Saúde, esta primeira fase da vacinação gratuita destina-se a residentes, utentes e profissionais de lares, doentes e profissionais da rede de cuidados integrados, profissionais do SNS e grávidas. Os utentes elegíveis serão chamados para a toma da vacina por SMS, telefonema ou carta, por idade decrescente, a partir dos centros de saúde.

A segunda fase deverá arrancar no dia 11 de outubro, com a vacinação de pessoas com 65 anos ou mais e as que são portadoras de doenças definitivas. A vacinação nas farmácias, fora dos grupos de risco, será feita mediante receita médica e só terá início a 25 de outubro. No entanto, as reservas já começam a ser feitas e há já farmácias a contarem com 400 pessoas na lista de espera.

A toma da vacina pela população mais jovem pode estar relacionada com o contacto direto e regular com familiares mais idosos e que possam contrair a doença e desenvolver sintomas mais graves. “Um jovem de 15 anos querer tomar a vacina da gripe pode ser uma atitude bastante conscienciosa. A toma da vacina acaba sempre por proteger o indivíduo que a recebe e quem o rodeia”, diz Gustavo Tato Borges.

A toma da vacina da primeira e segunda fase está prevista para acontecer até ao dia 15 de dezembro com um capacidade de administração semanal de 400 mil vacinas, adiantou hoje o vice-almirante Gouveia e Melo na reunião na sede da task force. A conclusão até ao final do ano acontece, uma vez que é nos meses de janeiro, fevereiro e março que é mais habitual haver picos gripais. No entanto, e segundo o Dr. Gustavo, quem não pertence aos grupos de risco e quer ser vacinado deve fazê-lo também até ao final do mês de dezembro.

A procura pela vacinação contra a gripe aumentou consideravelmente no ano passado devido à pandemia de covid-19 e o expectável é que este ano a situação se repita. “Nós assistimos, já no ano passado, a que muitas pessoas que habitualmente não tomavam esta vacina da gripe, solicitaram-na junto das farmácias e médicos de família e isso fez com que fosse mais procurada e que se tenha esgotado rapidamente. Este ano, mesmo havendo quase três milhões de vacinas para administrar, eu penso que vamos esgotar também rapidamente estas doses”, conta o vice-presidente da associação.

Segundo a RTP, a vacinação começou ontem mas, de acordo com os enfermeiros, há falta de vacinas nos centros de saúde. A Direção Geral de Saúde respondeu que a campanha de vacinação contra a gripe é um processo contínuo e, como tal, não se inicia em todas as unidades ao mesmo tempo.

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