Saúde

Megan Fox não consegue achar-se bonita — sofre de dismorfia corporal

A atriz já foi considerada uma das mulheres mais sexy do mundo, mas nem isto a consegue convencer da sua beleza. 
A atriz é considerada uma das mais sexys do mundo.

A atriz de “Jennifer’s Body” deu uma entrevista com o namorado, Machine Gun Kelly (Colson Baker), à revista britânica “GQ Style”. Numa conversa intimista e honesta, falou sobre a vida pessoal e abordou facetas desconhecidas da sua personalidade (que sempre escondeu devido à carreira em Hollywood). Na entrevista, Megan Fox falou sobre a sua saúde mental e revelou que sofre de dismorfia corporal, um padrão de obsessão pelas falhas que vê na própria aparência.

“Podemos olhar para alguém e pensar: ‘Esta pessoa é tão bonita. A vida dela deve ser tão fácil.’ No entanto, a pessoa provavelmente não se sente assim sobre ela própria”, disse Megan. “Sim, sofro de dismorfia corporal. Tenho inseguranças profundas sobre a minha aparência”, conta. Embora não tenha falado mais sobre a forma como a sua dismorfia corporal a afeta no dia a dia, a atriz de “Transformers” já tinha falado sobre a sua saúde mental noutras ocasiões.

Segundo a psicóloga clínica Júlia Machado, “a dismorfia corporal afeta principalmente a autoestima da pessoa, fazendo com que sofra consequências negativas ao tentar estabelecer relacionamentos sociais ou profissionais. Devido aos pensamentos delirantes sobre diversos defeitos físicos no seu corpo, a pessoa com dismorfia corporal sente-se constantemente insatisfeita e inseguro com a sua imagem.”

Aproximadamente 2,5 por cento da população mundial sofre com diferentes níveis de dismorfia corporal. “Atualmente tem-se verificado que com a pandemia esta perturbação tem aumentado”, conta a psicóloga à NiT.

Numa entrevista para a “Entertainment Tonight”, em 2019, Megan revelou que entrou numa depressão profunda durante o lançamento do filme “Jennifer’s Body”, em 2009. A atriz aponta o dedo aos anos durante os quais foi sexualizada por Hollywood e pelos media: “Não queria ser vista, não queria ter que tirar uma foto, fazer uma revista, ir a uma festa. Não queria ser vista em público por causa do medo e da crença, da certeza absoluta, de que seria ridicularizada ou de que alguém iria gritar comigo. Passei por um momento muito sombrio depois disso.”

“A Dismorfia Corporal geralmente começa durante a adolescência e ocorre mais frequentemente em mulheres”, explica a psicóloga. Quanto ao diagnóstico, esta é uma doença mental que pode facilmente passar despercebida durante vários anos, “porque muitas pessoas sentem-se envergonhadas em revelar os sintomas ou porque acreditam que são realmente feias.”

Mas então como se descobre esta doença mental? “Pode-se diagnosticar quando a pessoa desenvolve uma preocupação excessiva com os seus defeitos, que outras pessoas pensam ser insignificantes, ou nem reparam neles. Também pode acontecer quando a pessoa repete várias atividades ou pensamentos, como por exemplo: olhar-se no espelho, vestir-se e arranjar-se excessivamente ou comparar-se demasiado com os outros. Isto acontece devido à grande preocupação que têm com a aparência”, explica Júlia Machado.

Megan Fox revelou à GQ Style que partiu numa viagem espiritual para trabalhar os seus sentimentos sobre aquela época e assumir controlo sobre si própria e sobre como reagir às perceções que as outras pessoas têm sobre si: “Trabalhei muito para acabar com o sentimento de vítima e perceber que era uma lição. Que havia um propósito naquilo por que estava a passar. Isso fez-me crescer muito enquanto ser humano.”

A atriz disse ainda que o namoro com Machine Gun Kelly a ajudou a tornar-se mais confortável com seu lado excêntrico ou estranho. “Coloquei-me ou permiti que outras pessoas me colocassem numa caixa estranha onde não vivia a minha própria vida. Sempre fui excêntrica ou estranha e isso não era aceite em Hollywood”, conta.

Sendo que esta doença é de difícil diagnóstico, como será o processo de tratamento? “Através de psicofármacos (antidepressivos) ou através de abordagens terapêuticas que possam ajudar a melhorar a qualidade de vida da pessoa, nomeadamente o Mindfulness, e o EMDR (Eye Movement Desensitization and Reprocessing — Dessensibilização e Reprocessamento através do Movimento Ocular)”, explica a psicóloga. Trata-se de uma estimulação bilateral do cérebro que permite ao paciente reformular as experiências emocionalmente traumáticas. Pode ser encarado como uma intervenção de base fisiológica, que ajuda a pessoa a encarar e viver os traumas de uma forma nova e sem os efeitos perturbadores. 

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